Flávio Bolsonaro pede que Trump adie tarifaço por 6 meses - Foto: Reprodução Truth Social / Donald Trump

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, disse nesta sexta-feira (4) que vai aos Estados Unidos para “defender o Pix”, sem esclarecer como seria a defesa.

Flávio está inscrito para falar em audiência pública em Washington, na próxima terça-feira (7), no âmbito de uma investigação iniciada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos).

A investigação apura suposto prejuízo causado pelo Pix às empresas americanas.

Nesta quinta (3), Flávio enviou ao governo dos Estados Unidos um documento em que oferece vantagens comerciais aos americanos, como a eliminação de tarifas para o etanol e a redução da carga tributária de empresas de cartão de crédito.

Também disse que a confirmação do tarifaço de 25% proposto pelo órgão daria ao governo do presidente Lula (PT) uma “vitória política”.

“Eu vou lá para os Estados Unidos defender o nosso Pix, já que o atual presidente do Brasil está se lixando para empresas brasileiras. E é o único que quer a tarifação dos nossos produtos brasileiros que são enviados para os Estados Unidos”, disse o pré-candidato, em seminário interno do PL no Rio de Janeiro voltado para estratégias de comunicação.

Em discurso a apoiadores, Flávio fez críticas à condução econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e divulgou vídeos com dados sobre o endividamento de brasileiros.

No dossiê enviado pelo gabinete, Flávio defende o Pix como um dos marcos da gestão Bolsonaro e contesta as alegações de conflito de interesses feitas pela gestão Trump, apontando que o Fed, banco central americano, também opera uma ferramenta de pagamento chamada FedNow.

Apesar disso, propõe um “compromisso legislativo” de que o Pix não será conectado a arranjos de liquidação transfronteiriços “não ocidentais” —numa referência à China. Hoje o sistema de pagamentos instantâneos não faz transferências internacionais, e o documento não deixa claro como seria esse veto a sistemas estrangeiros.

O senador do PL propõe a “busca agressiva” de acordos comerciais que aumentem o comércio e o investimento entre os dois países. Nesse sentido, propõe que o Brasil “se liberte das amarras” do Mercosul —o bloco de comércio restringe negociações bilaterais— como fez Javier Milei, presidente da Argentina.

Em junho, Flávio Bolsonaro exibiu cartaz com a mensagem “O Pix é do Brasil e do Bolsonaro!!!”, um dia após Lula levantar outro que dizia “O Pix é do Brasil!”. Um dia antes, o senador tinha sido chamado de traidor da pátria e imbecil por Lula.

*Com informações de Folha de São Paulo