Equipe de resgate retira com vida Hernán Gil, vigilante que estava sob escombros dos terremotos em Playa Grande, na Venezuela, há oito dias - Foto: Federico Parra / AFP

Em um cenário caótico de destruição, centenas de pessoas se aglomeram na frente de um prédio em escombros. É sinal de que algum fio de esperança apareceu em meio ao desespero de La Guaira, na Venezuela: um sobrevivente foi resgatado, oito dias após os terremotos.

“Corre, moça, enfim resgataram o vigilante”, grita uma guarda de rua que monitora a passagem de carros e motos. O venezuelano Hernán Gil, 43, foi retirado dos escombros por equipes nacionais e internacionais de resgate. Ele era vigilante do prédio comercial, e ficou preso nos escombros da guarita.

Havia ali equipes do Chile, da Costa Rica, dos Estados Unidos, de El Salvador, de Portugal e da própria Venezuela, além da Cruz Vermelha. O idioma não fazia diferença. Todos naquele momento se abraçavam no setor de Playa Grande, no amplamente afetado estado de La Guaira, presenciou a reportagem. Toda a imprensa também estava emocionada.

“A sensação é incrível, é como renascer”, disse um dos membros da equipe chilena, que liderou o resgate. “Fizemos o nosso melhor, por todos, e por todos os países reunidos aqui.”

Hernán Gil havia sido identificado vivo desde o último dia 28, conta a filha de uma senhora que, diferentemente do vigilante, segue sob os escombros. Ela acompanhava o resgate do vigilante com a expectativa de que, agora, as equipes pudessem se dedicar a buscar sua mãe.

A estrutura do prédio comercial colapsou parcialmente. As equipes conseguiram escavar um túnel para chegar a ele, e o hidratavam por meio de uma mangueira. Mas qualquer movimento de maior magnitude na estrutura ao redor poderia fazer com que tudo colapsasse e ficassem o vigilante e os membros da equipe de resgate presos nos escombros.

Não há quem não se emocione. Ao caminhar apenas poucos metros, afinal, há mais centenas de famílias embaixo do sol, em meio ao forte cheiro dos corpos em decomposição, desesperadas em busca de seus parentes na cidade parcialmente destruída.

Elas reclamam que todos os esforços foram concentrados no local onde estava Hernán. Dizem que, é claro, resgatar as pessoas com vida deve ser a prioridade. Mas que talvez seus parentes sob os escombros também estejam vivos, mas não estão recebendo atenção. É um dilema.

Nas redes sociais, a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, celebrou o resgate do vigilante. “Celebramos a grandeza do ser humano quando está unido com um único propósito: salvar o outro”, escreveu. “Obrigada aos nossos socorristas e ao apoio dos socorristas internacionais.”

*Com informações de Folha de São Paulo