Um banner com fotos de Mojtaba Khamenei, ao lado de seu pai Ali Khamenei, em uma manifestação em Terã - Foto: Atta Kenare / AFP

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, divulgou uma mensagem nesta sexta-feira (20) em que declara que o inimigo está “derrotado”. A declaração marca o início do Ano-Novo persa, que ele denominou o ano da “economia de resistência sob a unidade nacional e a segurança nacional”.

“No momento, graças à unidade especial que se formou entre vocês, nossos compatriotas —apesar de todas as diferenças de origem religiosa, intelectual, cultural e política—, o inimigo foi derrotado”, disse Mojtaba, 56.

Ao demonstrarem unidade e determinação, os iranianos “desferiram a ele [o inimigo] um golpe avassalador, de modo que agora ele começa a proferir palavras contraditórias e absurdas”, acrescentou.

No texto, divulgado em seu canal no Telegram, Mojtaba afirmou ainda que os ataques contra a Turquia e Omã não foram realizados pelo Irã nem por aliados. “Insisto no fato de que os ataques ocorridos na Turquia e em Omã —países que mantêm boas relações conosco— não foram, de forma alguma, conduzidos pelas Forças Armadas da República Islâmica nem por outras forças da Frente de Resistência”, declarou ele, atribuindo as operações à “fraude do inimigo sionista”, em referência a Israel.

O regime iraniano afirmou anteriormente ter bases americanas em países vizinhos como alvo de seus ataques. Mojtaba indicou, neste comunicado, querer retomar relações com nações da região. “Acreditamos firmemente no fortalecimento das relações com os países vizinhos”, afirmou.

Filho de Ali Khamenei, morto nos ataques de Estados Unidos e Israel a Teerã, Mojtaba foi eleito por um conselho de clérigos para dar continuidade ao regime teocrático islâmico do país persa. Desde o anúncio de seu nome, Mojtaba não foi visto em público.

Ele foi ferido no ataque que abriu a guerra contra a teocracia mas já se encontrava “são e salvo” dias depois, segundo um dos filhos do presidente Masoud Pezeshkian, Yusef, que ocupa o cargo de assessor governamental.

Em seu primeiro pronunciamento escrito, há pouco mais de uma semana, Mojtaba havia adotado um tom desafiador. Afirmou, naquele momento, que suas forças continuariam fechando na prática o estratégico estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. É uma forma “de manter pressão sobre o inimigo”, disse.

O líder afirmou, no primeiro texto, que o Irã preza a amizade de seus vizinhos, mas continuaria a atacar as bases americanas em solo de aliados de Washington no Oriente Médio. “Elas devem fechar”, disse. Também exigiu reparações pelos danos da guerra, sob pena de “destruir os ativos” americanos e israelenses.

Ainda nesta sexta, segundo a imprensa estatal local, o presidente Pezeshkian agradeceu aos iranianos por terem saído às ruas para defender o regime islâmico e parabenizou as forças policiais e a milícia Basij por “garantirem a segurança” nesse momento.

O Exército de Israel afirmou nesta sexta que matou o chefe de inteligência da milícia paramilitar Basij em um bombardeio em Teerã. “Esmail Ahmadi, que ocupava o cargo de chefe da direção de inteligência da Basij, foi eliminado” na madrugada de 16 para 17 de março em um bombardeio contra uma reunião de vários comandantes dessa organização. O ataque também matou seu líder, o general Gholamreza Soleimani.

“Em sua função, Ahmadi desempenhou um papel central na promoção e execução de atividades terroristas conduzidas pelas forças da Basij. Ele também era responsável, em nome da Guarda Revolucionária, por manter a ordem pública e os valores do regime”, afirmou a força israelense.

Também desempenhou um “papel fundamental” na repressão dos recentes protestos no Irã, que resultaram em milhares de mortes, acrescentou o comunicado. As forças israelenses também confirmaram a morte do porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana, Ali Mohammad Naini, em um bombardeio na noite de quinta (19).

Seu “martírio” havia sido anunciado pouco antes, em Teerã, no site de notícias da Guarda Revolucionária, o Sepah News.

*Com informações de Folha de São Paulo