Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA - Foto: John McDonnell / Getty Images

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a política americana em relação a Taiwan permanece inalterada, apesar de o líder chinês Xi Jinping ter levantado a questão durante cúpula com o presidente Donald Trump em Pequim.

Xi Jinping abordou Taiwan no encontro com Trump na capital chinesa. “Eles sempre levantam isso do lado deles”, disse Rubio à NBC. “Nós sempre deixamos clara nossa posição e seguimos para outros tópicos.”

Rubio alertou que seria um “erro terrível” se a China tomasse Taiwan à força. “Da nossa perspectiva, qualquer mudança forçada no status quo e na situação que existe agora seria ruim para os dois países”, afirmou o secretário, que integrou a delegação americana em Pequim.

Uma ação militar chinesa teria repercussões globais, segundo Rubio. “Haveria repercussões globais, não apenas dos Estados Unidos”, declarou.

Xi afirmou que a questão de Taiwan pode levar a uma situação perigosa se for mal administrada entre as duas nações. O líder chinês destacou que a ilha é o tema mais importante nas relações entre as duas maiores economias do mundo, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.

As declarações de Xi foram notáveis, mesmo que Pequim já tivesse emitido fortes advertências sobre Taiwan no passado. “Ele está avisando os EUA, sem rodeios, para não brincarem com a situação”, disse Joe Mazur, analista de geopolítica da consultoria Trivium China.

Trump entende sensibilidades em torno da questão de Taiwan, diz secretário do Tesouro. “O presidente Trump ?entende sensibilidades em torno de tudo isso, e qualquer um que tenha dito o contrário não entende o estilo ?de negociação de Donald Trump”, falou hoje Scott Bessent à CNBC.

Entenda relação entre EUA, China e Taiwan

Anteriormente conhecida como Formosa, a ilha foi habitada por povos indígenas há milhares de anos. Assim permaneceu antes de os holandeses e espanhóis governarem brevemente partes dela no século 17, até os anos 1662. Hoje, a população dela é composta majoritariamente por chineses Han.

Depois da colonização europeia, foi incorporada pela dinastia Qing, a última da China, em 1684. Ela foi anexada como parte da província de Fujihan, a oeste, e foi declarada como uma província chinesa separada em 1885.

Após a derrota da dinastia Qing na guerra contra o Japão, tornou-se uma colônia japonesa em 1895. Já em 1945, foi entregue ao governo da República da China ao final da Segunda Guerra Mundial. Quatro anos depois, após ser derrotado pelas forças comunistas de Mao Tsé-Tung, o então governo chinês fugiu e transferiu sua capital para Taiwan. República da China permanece sendo o nome oficial do território.

Em 1950, Taiwan tornou-se aliada dos Estados Unidos, que estavam em guerra com a China na Coreia. Os americanos posicionaram uma frota no Estreito de Taiwan para proteger seu aliado de um possível ataque de Mao.

Já em 1979, foi lançada a Lei de Relações com Taiwan dos EUA. Ela obriga Washington a ajudar a ilha a obter os meios para se defender da China. Anos depois, o presidente dos EUA Ronald Reagan adotou as Seis Garantias a Taiwan, incluindo a promessa de não alterar a primeira legislação.

A maioria dos principais países ocidentais e aliados dos EUA mantém laços estreitos e não oficiais com Taiwan. Eles reconhecem o passaporte da República da China e têm embaixadas nas capitais uns dos outros. Atualmente, apenas 12 países possuem relações formais com Taipei, em sua maioria pequenas nações em desenvolvimento, como Belize e Tuvalu.

A China afirma que não renunciará ao uso da força para colocar Taiwan sob seu controle. Pequim ofereceu a Taiwan um modelo de “um país, dois sistemas”, semelhante ao de Hong Kong, que prometeu à cidade um alto grau de autonomia, embora nenhum grande partido político em Taiwan apoie essa proposta.

*Com informações de Uol