O ativista Thiago Ávila, membro da Flotilha humanitária de ajuda à Gaza, comparece a uma audiência no Tribunal de Primeira Instância de Ashkelon, no sul de Israel, em 3 de maio de 2026 - Foto: Reuters / Amir Cohen / RFI

Israel deve libertar ainda neste sábado (9) dois ativistas, o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestino Saif Abu Keshek, integrantes da mais recente flotilha rumo a Gaza. Após a libertação, eles serão entregues às autoridades imigratórias para posterior expulsão do país, informou a ONG Adalah, que representa os dois.

“A agência israelense de segurança interna, Shabak, informou à equipe jurídica da Adalah que os ativistas e dirigentes da flotilha Global Sumud (GSF), Thiago Ávila e Saif Abu Keshek, serão libertados hoje”, sábado, indicou a organização em um comunicado. Segundo a ONG, eles “serão entregues mais tarde no mesmo dia às autoridades israelenses de imigração e mantidos em detenção enquanto aguardam sua expulsão”.

O espanhol Saif Abu Keshek e o brasileiro Thiago Ávila haviam sido levados a Israel para interrogatório na semana passada, após a interceptação de sua flotilha pela Marinha israelense em águas internacionais próximas à Grécia. A Adalah informou que acompanhará de perto a evolução da situação para assegurar que “a libertação da detenção ocorra efetivamente, seguida da expulsão de Israel nos próximos dias”.

Na terça-feira (5), um tribunal israelense havia prorrogado a detenção dos dois homens até este domingo (10), a fim de permitir que a polícia tivesse mais tempo para interrogá-los, segundo seus advogados. Posteriormente, os advogados apresentaram um recurso contra essa decisão, que foi rejeitado por um tribunal distrital na quarta-feira (6).

A Espanha, que mantém relações extremamente deterioradas com Israel, assim como o Brasil e a ONU, havia pedido a libertação rápida dos dois militantes. “Detidos ilegalmente por Israel há mais de uma semana”, eles foram “mantidos durante toda a detenção em isolamento total, em condições punitivas, apesar do caráter puramente civil de sua missão”, lamentou a ONG.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou a se manifestar na terça-feira e exigiu que Ávila e Keshek fossem libertados. “Nosso governo, juntamente com o da Espanha, que também teve um cidadão detido, exige que eles recebam plena garantia de segurança e sejam imediatamente soltos”, escreveu Lula na rede social X. O líder brasileiro classificou a ação de Israel como “injustificável”.

Greve de fome

De acordo com a Adalah, ambos fazem uma greve de fome, e o ativista espanhol se recusa a beber água desde a noite de 5 de maio. As autoridades israelenses rejeitaram as acusações de maus-tratos, mas não abriram nenhum processo judicial contra os dois homens. O Estado israelense os acusa de ligações com o Hamas palestino, o que eles negam de forma categórica.

A flotilha contava inicialmente com cerca de cinquenta embarcações e tinha como objetivo, segundo seus organizadores, romper o bloqueio israelense ao território palestino, devastado por dois anos de guerra, onde o acesso à ajuda humanitária permanece fortemente restrito. Os dois homens foram detidos na última semana pelo Exército israelense ao largo da ilha de Creta, junto com cerca de 175 outros militantes de diversas nacionalidades, que foram todos rapidamente libertados na Grécia.

*Com informações de Terra