Altas temperaturas (manchas vermelhas) no oceano Pacífico Equatorial, como observado entre 1 e 10 de junho de 2023, são características do El Niño - Foto: NOA
Você que planta no Sul do Brasil sabe bem: quando o El Niño aparece, o céu desaba e o campo vira um mar de lama. Agora, em maio de 2026, previsões do INMET e CPTEC apontam probabilidade acima de 60% de formação do fenômeno entre maio e julho, saltando para mais de 90% no segundo semestre. Chuvas excessivas no inverno e primavera ameaçam soja, trigo, milho e pastagens, com encharcamento do solo, doenças fúngicas e atrasos operacionais que podem custar bilhões aos produtores.
O que é o El Niño e por que ele mira o Sul?
O El Niño surge quando águas quentes do Pacífico equatorial se espalham, alterando ventos e chuvas globais. No Brasil, ele seca o Norte e Nordeste, mas no Sul provoca o oposto: precipitação acima da média, especialmente de junho a dezembro. Histórico mostra perdas pesadas, como no Paraná em ciclos passados, onde trigo perdeu 980 mil toneladas e prejuízos bateram R$ 1 bilhão só nessa cultura, além de R$ 2,5 bilhões totais em safras afetadas. Anomalias de chuva superaram 300 mm em Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul em eventos recentes, e 2026 pode repetir o filme.
Chuvas torrenciais enchem o campo e travam máquinas
Produtores enfrentam solos encharcados que impedem o plantio e a colheita, com máquinas atoladas e erosão acelerada. O excesso hídrico atinge fases críticas das culturas, como floração, enchimento de grãos e maturação, reduzindo drasticamente a produtividade.
Doenças fúngicas explodem na umidade alta, atacando folhas e raízes sem misericórdia, enquanto pragas se multiplicam com temperaturas elevadas associadas. No Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, rios como Uruguai e Ibirapuitã já viram alertas de cheia, complicando ainda mais o acesso às lavouras.
A soja, carro-chefe do Sul, também sofreu com chuvas em setembro-outubro, período de enchimento de grãos, o que compromete rendimento e qualidade. Estimativas passadas indicam perdas de até 1,5 milhão de toneladas em estados sulinos, com grãos rebaixados para ração animal.
Preços sobem e mercado sente o tranco
Com produção menor, preços de grãos disparam, mas o produtor sulista arca com custos extras de manejo e replantio. O fenômeno pressiona a inflação de alimentos, como já alertam analistas para a safra de grãos 2026. Café e cana no Sudeste ganham com seco, mas o Sul paga a conta, com qualidade de grãos chuvados e ATR em queda na cana afetada indiretamente. Mercados globais observam, e o Brasil pode exportar menos, apertando o câmbio.
Estratégias urgentes pro produtor esperto
Monitore boletins do INMET, CPTEC e Embrapa diariamente pra ajustar plantios e usar sementes resistentes a fungos. Opte por variedades de ciclo curto na soja, espaçamentos maiores no trigo pra ventilação, e fungicidas preventivos no milho. Diversifique culturas, invista em drenagem de solos e planeje safrinha com margem de segurança. Bancos como BB oferecem crédito consciente pro agro climático; use pra mitigar riscos agora. Assim, você transforma ameaça em oportunidade, sem deixar o El Niño mandar no seu campo.
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