A nova tarifa proposta pelo governo Donald Trump na investigação comercial sobre trabalho escravo pode se somar à sobretaxa de 25% contra o Brasil sugerida na madrugada de terça (2), de acordo com membros do governo Lula (PT) e especialistas do setor privado. Isso elevaria o tarifaço contra itens nacionais a 37,5%.
Na terça-feira (2), o ministro Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) disse que a tarifa de 25% se aplicaria a cerca de 21% das vendas aos EUA. Como as duas investigações abrem exceção para a mesma lista de produtos, a tarifa acumulada poderá incidir, em tese, sobre 21% da pauta exportadora do Brasil para os EUA. Os números oficiais do impacto ainda não foram divulgados.
A decisão final sobre a aplicação das tarifas depende do governo Trump.
De acordo com Welber Barral, sócio fundador da BMJ, os EUA praticamente repetiram nas duas apurações do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) a lista de exceções.
Já as exceções se concentram sobre bens industriais e outros que têm potencial inflacionário nos EUA.
Ainda segundo Barral, a ideia é que a sobretaxa de 12,5% substitua a atual tarifa de 10% aplicada a todos os parceiros comerciais dos EUA. A investigação contra trabalho forçado abordou 60 países que representam 99% do comércio externo americano e encontrou falhas em todo o grupo.
“Ela substitui os atuais 10% da [Seção] 122, que vai cair no final de julho. Uma substituiria a outra”, diz Barral, que ocupou o cargo de secretário de Comércio Exterior do Mdic (Ministério da Indústria, Comércio e Serviços) entre 2007 e 2011. Ele destaca que as tarifas da Seção 122 já estão recebendo contestações judiciais.
Um tarifaço que chegue a 37,5% seria o pior cenário possível para o Brasil, e não se sabe ainda que tipo de conta o USTR poderá propor a Trump no relatório final. Há possibilidade, por exemplo, que o governo americano estabeleça combinações para que uma investigação se sobreponha à outra, embora isso seja visto como improvável.














