
O Japão descobriu uma ilha que abrigaria mais de 16 milhões de toneladas de terras raras e marcou para fevereiro de 2027 o primeiro teste de mineração em larga escala no fundo do oceano. Toda a região ao redor da ilha de Minamitorishima, 1.900 quilômetros a sudeste de Tóquio, será explorada.
A decisão do governo japonês veio após uma missão que recuperou amostras a cerca de 6 mil metros de profundidade, feito inédito até então. Segundo informações do jornal local Nikkei, as projeções estimam a área como terceira maior reserva de terras raras do planeta.
Em termos de abastecimento, o volume seria suficiente para 780 anos de fornecimento global de ítrio e 730 anos de disprósio. O navio de perfuração Chikyu foi o responsável pela coleta, que extraiu dezenas de toneladas de lama do fundo do mar. Para se ter ideia, cada tonelada dos sedimentos contém cerca de dois quilos de minerais estratégicos.
A primeira-ministra Sanae Takaichi confirmou a presença de ítrio nas amostras, elemento usado em equipamentos de fabricação de semicondutores, em catalisadores e na indústria automotiva. As análises da Jamstec, agência japonesa de ciência marinha, detectaram ainda gadolínio e disprósio.
A corrida por minerais raros vem crescendo entre as superpotências e a China lidera a vanguarda. Segundo a Agência Internacional de Energia, o país asiático é dono de quase dois terços da produção mundial de minerais raros e de 92% do refino global.
Tal dependência virou problema concreto para o Japão em novembro do ano passado, quando declarações de Takaichi sobre Taiwan abriram uma crise com Pequim e o governo chinês impôs restrições pesadas ao fornecimento dos minerais.












