Neymar Jr na última ocasião em que atuou pela Seleção Brasileira, ainda em 2023 - Foto: Vitor Silva / CBF

Carlo Ancelotti divulgou a lista final dos jogadores convocados para o Mundial na tarde desta segunda-feira (18), no evento organizado pela CBF no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Neymar apareceu pela primeira vez em uma convocação do técnico italiano no comando da Seleção Brasileira.

Para Ancelotti, o camisa 10 deve atuar em uma posição diferente da que ocupa no Santos e que jogou em grande parte da carreira. O italiano pretende usar o craque como “falso 9” com a amarelinha, função que promete mudar a dinâmica ofensiva da seleção brasileira no Mundial.

Em entrevista coletiva após anunciar a lista dos 26 convocados, Ancelotti foi taxativo sobre como utilizar o camisa 10.

“Como um atacante, mais centralizado Ancelotti durante coletiva”

Em sua fala, Ancelotti deu forte indício que vai aproveitar Neymar como um “falso 9”, função em que o jogador parte da posição de centroavante, mas recua constantemente para o meio-campo para armar as jogadas, em vez de se fixar na área.

O movimento de recuo do craque cria um dilema para os zagueiros adversários: se o marcarem, abrem espaço na área para as infiltrações de Vinícius Jr. e Raphinha pelas pontas. Se optarem por ignorá-lo, ele ganha liberdade total para criar. Além disso, a posição gera superioridade numérica no meio-campo, facilitando a posse de bola e a construção das jogadas da seleção.

Escalar o Neymar como referência no ataque também o alivia de funções defensivas, o que pode ajudar em sua minutagem no torneio. Apesar disso, Vini Jr. e Raphinha teriam que compensar a presença do craque na recomposição.

Histórico da posição

A posição não é nova no futebol. Em 2009, o Barcelona protagonizou uma das maiores goleadas da história do clássico espanhol ao atropelar o Real Madrid por 6 a 2 no Santiago Bernabéu, e o “falso 9” foi peça central naquele resultado.

Carlo Ancelotti acertou renovação até 2030 – Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Guardiola, técnico do time Catalão na época, decidiu colocar Messi na nova posição depois de analisar o comportamento defensivo da equipe Merengue, e observar que os zagueiros não pressionavam os centroavantes adversários. Pep enxergou uma brecha para o argentino partir da posição de 9, mas recuar constantemente para o meio-campo, deixando os defensores sem referência, pois seguir Messi significava abrir espaço para Henry e Eto’o.

Mas antes do Barcelona de Guardiola, o futebol brasileiro já havia visto algo parecido. No São Paulo bicampeão mundial de Telê Santana, Palhinha recuava constantemente para criar o jogo no meio-campo, abrindo espaço para que Raí avançasse como pivô e Müller explorasse as diagonais no ataque. Sem um centroavante fixo, o time tricolor operava com uma dinâmica ofensiva à frente de seu tempo.

Copa de 2026

Os 26 jogadores convocados por Ancelotti para a Copa de 2026 se apresentam a partir do dia 27 de maio, na Granja Comary, para a preparação visando o Mundial. Antes de partir rumo aos Estados Unidos, a seleção se despede da torcida brasileira no domingo (31), com um amistoso contra o Panamá, no Maracanã. Antes da estreia, o Brasil ainda jogará contra o Egito, em Cleveland, no dia 6 de junho.

*Com informações de IG