Em um cenário mundial no qual as mulheres avançam profissionalmente, mas ainda encontram barreiras para alcançar os espaços de decisão, lideranças femininas do sistema da Justiça amazonense, da comunidade científica e do jornalismo reuniram-se no evento “Café com Poder: Mulheres Líderes – Equidade e Excelência”. A iniciativa aconteceu na última sexta-feira, dia 14 de agosto, no auditório Sônia Barreto, da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
O evento teve como anfitriã a desembargadora do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Mirza Telma Cunha, e contou com a presença da desembargadora do TJAM Luiza Cristina Nascimento da Costa Marques; a juíza do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) Laura Maria Santiago Lucas; a juíza eleitoral Lídia de Abreu Frota; além da diretora da Ouvidoria da Mulher do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Ana Paula Aguiar.
Palestraram também representantes da academia científica: a vice-reitora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a médica Kátia do Nascimento Couceiro; o coordenador do curso de Direito da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Adriano Ferreira; além da coordenadora do projeto educacional “Aleam Educa”, a advogada Marilene Maciel; e da representante do Ministério Internacional da Restauração (MIR), a apóstola Tennessa Nahmias.
Representando os veículos de comunicação, estavam a diretora-geral da Revista Cenarium, Paula Litaiff; a correspondente especial da TV Globo na Rede Amazônica, Daniela Branches; e a editora do Portal Amazonas1, Emília Picanço.
O encontro foi idealizado pelo Instituto Newman Educational, com sede nos Estados Unidos (EUA), e propôs ampliar o debate sobre representatividade e liderança feminina nas estruturas institucionais brasileiras em que a desigualdade de gênero se torna mais evidente à medida que se sobe na hierarquia, como apontam estatísticas e pesquisas científicas.
A representante do Instituto Newman Educational, Erleide Parente, destacou a necessidade de um debate contínuo sobre a equidade de gênero nas instituições públicas e privadas, adotando como viés condutor a Educação. “Só é possível falar de equidade de gênero se houver a educação como principal instrumento de ação social, porque é através da educação que se pode transformar toda uma sociedade. O Café com Poder: Mulheres Líderes – Equidade e Excelência tem essa proposta de trabalho”, afirmou Erleide.
A desembargadora Mirza Telma, anfitriã do evento, apontou a importância de iniciativas como o encontro contribuir para aumentar a sororidade entre as mulheres da Amazônia, com trabalhos que geram inspiração e força coletiva. “Reuniões como o Café com Poder: Mulheres Líderes – Equidade e Excelência” geram empatia para que mais mulheres possam se sentir fortalecidas a adentrar em espaços de poder”, observou Mirza Telma.
Rompendo teto de vidro
A desembargadora do TJAM Luiza Cristina Nascimento da Costa Marques ministrou a palestra ‘Rompendo Teto de Vidro’, que abordou os desafios enfrentados pelas mulheres para alcançar e consolidar espaços de liderança nos diversos segmentos sociais e políticos. Para a magistrada, a conquista de espaços pelas mulheres ocorre de forma gradual, mas já apresenta avanços em áreas como Direito e Medicina.

“Se olharmos bem, estamos conseguindo avançar. Em todas as áreas, na jurídica, na médica e em tantas outras, vemos as mulheres conquistando cada vez mais espaço e tendo um retorno positivo da sociedade”, declarou.
Poder ainda é desigual
O estudo mais recente do Observatório Nacional da Mulher na Política (2025) apontou que, no Brasil, as mulheres compõem mais de 50% da população e do eleitorado, mas ocupam 18% das cadeiras no Legislativo federal e nas câmaras de vereadores, além de representarem 26% dos ministérios do governo federal e 40% da magistratura.
A desigualdade brasileira entre as mulheres também aparece em comparações internacionais. No Global Gender Gap Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupou a 72ª posição no ranking mundial de igualdade de gênero, alcançando 72% de paridade. Embora o indicador tenha apresentado melhora em relação a 2024, o levantamento mostra que ainda existe uma distância relevante até a igualdade efetiva, especialmente nas dimensões econômica e de participação nos espaços de poder.
Diferença abissal
A juíza Laura Lucas, do TRE-AM, ressaltou que, apesar dos avanços legislativos e da maior presença feminina em cargos de liderança, a participação das mulheres ainda é inferior à dos homens em posições de poder. “Um evento como esse é muito importante porque, apesar de todas as evoluções legislativas e de alguns avanços das mulheres ocupando cargos de liderança e gestão, ainda temos uma diferença abissal em relação à presença masculina nesses espaços”, afirmou.
Para ela, a presença de mulheres em posições de liderança também é importante para criar referências para as novas gerações. “Precisamos ter mulheres em posições de gestão. Se só temos homens nesses espaços, pensamos que eles pertencem somente a eles. Acho que esses debates precisam ter também a participação dos homens. Tanto homens quanto mulheres precisam estar envolvidos nessa luta para que alcancemos a verdadeira igualdade de gênero”, declarou a juíza.
A vice-reitora da UEA, Kátia do Nascimento Couceiro, participou da programação com o tema “Gestão e Empatia”. Para ela, a discussão sobre mulheres em posições de poder deve considerar características como liderança, sensibilidade e compromisso.
“A gente vai discutir alguns temas importantes, como empatia, sensibilidade, liderança e compromisso. Acredito que a mulher tem um toque especial nesse sentido, quando se fala em comandar pessoas”, afirmou. Kátia também destacou a importância da troca de experiências entre as participantes. “Acredito que a gente só vai acrescentar, somar e aprender um pouco mais com as outras colegas”, declarou a vice-reitora.
Jornalismo e representatividade
A jornalista Paula Litaiff destacou a atuação da organizadora do evento, Erleide Parente, e a reunião de representantes de diferentes setores para discutir a equidade de gênero, garantindo uma representatividade ampla no encontro. “Quero destacar o trabalho da organizadora Erleide Parente, que reuniu membros do Judiciário, do Legislativo e pessoas que representam a sociedade civil para abordar a equidade de gênero, principalmente no Amazonas e na Amazônia. Foi importante acompanhar as experiências e vivências das magistradas, administradoras e jornalistas”, afirmou Litaiff.
Durante sua palestra, Paula Litaiff citou o protagonismo de pesquisadoras do Amazonas como Marilene Corrêa e Iraildes Caldas Torres, que é referência em estudos de gênero na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e atua como uma das conselheiras editoriais na Revista Cenarium.













