
O aumento das temperaturas em Manaus vem reforçando a necessidade de repensar a forma como a cidade é planejada. Estudos sobre o clima da capital apontam uma tendência de aquecimento ao longo das últimas décadas. Uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Geofísica, baseada em cerca de 80 anos de dados meteorológicos identificou aumento de 0,27°C na temperatura média do ar, enquanto a temperatura média da superfície apresentou elevação de aproximadamente 3,17°C, associada principalmente às mudanças no uso do solo, à urbanização e à redução da cobertura vegetal.
O cenário se soma a períodos de seca, queimadas, fumaça, chuvas intensas e alagamentos, fenômenos que afetam diretamente a rotina da população e pressionam serviços públicos.
Para a arquiteta e urbanista Melissa Toledo, as mudanças climáticas precisam ser tratadas como uma questão urbana, territorial e social, e não apenas ambiental.
“Quando a gente fala de mudanças climáticas em Manaus, não fala só da questão ambiental. A gente fala do contexto urbano, territorial e social.”
Segundo ela, os eventos extremos já produzem impactos sobre mobilidade, infraestrutura, habitação, saúde e qualidade de vida.
“Isso nos coloca diante de uma pergunta fundamental: como o planejamento urbano precisa mudar diante dessa nova realidade climática?”
Arborização como infraestrutura
Melissa defende que o Plano Diretor de Manaus incorpore a variável climática ao zoneamento, à habitação, mobilidade, drenagem, saneamento, arborização, áreas verdes e localização de equipamentos públicos.
Para a urbanista, a cidade precisa ser mais permeável, sombreada e preparada para os eventos extremos.












