Papagaio-de-cara-roxa e Papagaio-charão são resgatados do tráfico e levados ao Zoológico de São Paulo - Foto: Divulgação / Zoológico de São Paulo
O Zoológico de São Paulo apresentou ao público nove aves que agora abrigam a instituição.
Os papagaios foram levados ao Zoológico pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), após sobreviverem a uma tentativa de tráfico internacional de fauna silvestre. Entre os animais estão seis papagaios-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e, os outros três, são papagaios-charão (Amazona pretrei).
Ambas as espécies estão em situação de risco de extinção e o resgate destas aves fortalece a missão de conservação que o Zoo defende.
Os filhotes chegaram à instituição em março deste ano, com cinco meses de vida, mas só foram transferidos para o espaço Bosque da Conservação após um período de quarentena e avaliações clínicas. O espaço é pensado justamente para abrigar espécies ameaçadas de extinção, e permite que os visitantes conheçam as aves e aprendam mais sobre o trabalho que a instituição promove.
O caso
O caso começou no dia 26 de outubro de 2025, quando agentes do Ibama realizaram uma operação de fiscalização no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, voltada ao combate ao tráfico de fauna silvestre.
Durante a inspeção, uma viajante estrangeira foi flagrada tentando embarcar com 24 ovos de aves escondidos sob suas roupas, fixados ao corpo com o auxílio de meias de nylon. Como já estavam em estágio avançado de incubação, os ovos foram imediatamente recolhidos e encaminhados para atendimento especializado.
No dia seguinte, parte deles acabou eclodindo e os filhotes que nascram receberam cuidados intensivos e acompanhamento técnico. Do total apreendido, somente nove sobreviveram e, posteriormente, foram destinados ao Zoológico de São Paulo, onde passaram a ser mantidos sob monitoramento adequado.
As espécies e suas conservações
O papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e o papagaio-charão (Amazona pretrei) são aves típicas do Sul do Brasil, cada uma com distribuição própria. O primeiro habita trechos da Mata Atlântica no litoral sul de São Paulo e do Paraná, enquanto o segundo ocorre em áreas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
Embora ambos tenham plumagem verde predominante, suas marcas são distintas. O papagaio-charão apresenta máscara vermelha e partes das asas também avermelhadas. Já o papagaio-de-cara-roxa possui testa e região ao redor do bico em vermelho, vértice e garganta arroxeados, além de laterais azuladas na cabeça (traços que inspiraram seu nome popular).
Quanto ao status de conservação, o papagaio-de-cara-roxa é classificado como “quase ameaçado” e o papagaio-charão figura como “vulnerável”, de acordo com a Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Ambas as espécies integram o Plano de Ação Nacional para as Aves da Mata Atlântica, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além disso, fazem parte de programas da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), que envolvem manejo controlado e reprodução assistida sob cuidados humanos, com o objetivo de manter populações geneticamente variadas.
Inaugurado em 16 de março de 1958, o Zoo SP abrigava inicialmente 482 animais. Atualmente a instituição conta com uma equipe exclusivamente dedicada à pesquisa, que tem como principal objetivo a conservação de espécies, promovendo a reprodução e cuidados.
O Zoológico agora abriga cerca de 2 mil animais, e mais de 440 espécies diferentes, incluindo várias que estão ameaçadas de extinção, como a Ararinha Azul, o Mico-leão-preto e o Mico-leão-dourado.
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