O presidente dos EUA, Donald Trump - Foto: Andrew Caballero-Reynolds / AFP
O presidente Donald Trump declarou que os EUA devem atacar novamente o Irã na noite de hoje.
Trump afirmou à imprensa que os EUA atacarão o Irã “com muita força novamente esta noite”. Em uma coletiva de imprensa com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, o republicano disse ver o Irã “se comportando muito mal” e que “não estava satisfeito com eles”.
O presidente dos EUA também disse que acreditava que o cessar-fogo havia terminado. “Para mim, acabou”, afirmou ele, durante a cúpula da Otan (aliança militar ocidental) em Ancara, na Turquia. Trump chamou os líderes iranianos de “escória” e “mentirosos”, mas afirmou que os negociadores americanos podem seguir conversando com Teerã — embora, segundo ele, estejam “perdendo tempo”.
Na noite de ontem, os militares americanos atacaram mais de 80 alvos no Irã, entre eles sistemas de defesa aérea, radares costeiros e cerca de 60 embarcações da Guarda Revolucionária, força paramilitar do regime. Segundo o Comando Central dos EUA, a ofensiva foi uma resposta a ataques iranianos contra três navios comerciais no Estreito de Hormuz na véspera — um deles um cargueiro de gás natural do Qatar. O Irã não assumiu a autoria dos ataques aos navios.
Em retaliação, a Guarda Revolucionária afirmou ter atingido 85 instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait, com mísseis e drones. O governo kuaitiano diz ter interceptado dois mísseis balísticos e 13 drones. Antes dos bombardeios, Washington já havia revogado a autorização para a venda de petróleo iraniano — a principal concessão econômica prevista na trégua. Teerã acusa os EUA de violar o acordo.
A guerra começou em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel atacaram o Irã alegando preocupação com seus programas nuclear e de mísseis. O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, morreu no primeiro dia da ofensiva — seu funeral ocorre nesta semana em Najaf, no Iraque, e o corpo será enterrado amanhã no Irã. Em resposta à guerra, Teerã fechou Hormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial, o que provocou uma crise energética global.
Memorando durou menos de 30 dias
EUA e Irã confirmaram a assinatura de um cessar-fogo em 14 de junho. O acordo foi elaborado com ajuda do Irã após meses de tentativas e após recusas para encontros presenciais entre os dois países.
O texto assinado tinha 14 pontos, incluindo a suspensão de sanções contra Teerã e o cessar-fogo imediato. O documento, intitulado “Memorando de Entendimento de Islamabad”, também previa um plano de reconstrução de US$ 300 bilhões no país.
Após a assinatura do cessar-fogo, EUA e Irã deveriam ter se encontrado para discutir detalhes do acordo, o que não aconteceu. Negociações foram marcadas para Burgenstock, na Suíça, em 19 de junho, mas foram canceladas em seguida.
O motivo da desistência não foi informado, mas a suspeita era de que ataques de Israel, aliado dos EUA, no Líbano colocassem em xeque o acordo. Os ataques israelenses em território libanês começam a provocar fissuras entre Washington e Tel Aviv. Autoridades de Israel se negavam a parar, enquanto Trump fazia críticas às ofensivas.
Apesar da trégua entre EUA e Irã, Israel e Hezbollah, outra frente de guerra criada no início do conflito, seguiram com ataques. O grupo extremista e o país governado por Benjamin Netanyahu anunciaram um cessar-fogo em 19 de junho, mas os dois lados seguiram trocando ataques, com o Irã prometendo que fecharia o Estreito de Hormuz até que Israel parasse as ofensivas.