Eliza Samudio foi morta em 2010 - Foto: Reprodução / sonia_elizasamudio / Instagram

Há quase 16 anos, a mãe de Eliza Samudio convive com luto lado a lado, principalmente porque nunca pôde fazer um velório ou sepultar a filha. Em conversa com o Terra, Sônia Moura desabafou sobre todo esse tempo sem ao menos saber ao menos onde está o corpo da jovem, morta aos 25 anos.

“É difícil você lidar com esse sentimento, porque o luto dessa forma, sem você ter virado essa página, é dolorido”, afirma. “Estou presa no luto, na dor. Então eu falo que eu enterro a minha filha todos os dias, e o túmulo da minha filha é o meu quarto”, reflete emocionada.

Ela conta que é no cômodo que chora a saudade e vive essa dor. “Muitas pessoas podem me ver sorrindo muitas vezes, mas não sabem o peso que eu carrego, o peso da dor, o peso das incertezas, sabe?”, declara.

Segundo a investigação, Eliza desapareceu em 4 de junho de 2010, enquanto brigava na justiça para que Bruno Fernandes das Dores de Souza, conhecido como goleiro Bruno, reconhecesse a paternidade do filho, Bruninho, então com 4 meses.

Pouco depois, a polícia recebeu denúncias anônimas que levaram ao paradeiro do bebê e às primeiras pistas de que Eliza teria sido levada para uma propriedade de Bruno, em Minas Gerais, e morta. Antes de ser vítima do crime, ela denunciou Bruno por obrigá-la a tomar remédios para abortar após revelar que estava grávida. O corpo da jovem, no entanto, nunca foi localizado.

Sônia também relembra esse período em que o neto também estava desaparecido. “Ele foi largado numa comunidade, abandonado”, salienta ao agradecer o trabalho da delegada Alessandra Wilke, que foi quem o encontrou. “Hoje, o Bruninho não era para estar aqui”, pondera.

“Eu tenho uma vítima direta na minha vida [Eliza] e tem uma que foi indireta. O Bruninho também foi vítima. As pessoas esquecem disso”, reforça.

Para a Justiça, Bruno orquestou o sequestro e assassinato de Eliza. Em 2013, o ex-atleta foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado de Eliza.

O ex-goleiro voltou a ser preso nesta quinta-feira, 7, em uma cidade na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, após cerca de dois meses foragido da Justiça. A Justiça revogou sua liberdade condicional após uma viagem não autorizada ao Acre. Na época, ele havia sido contratado pelo Vasco-AC, chegou a participar de treinamentos e atuou em uma partida oficial da equipe.

Sônia considera a prisão um alívio, embora veja a situação como lamentável. “Poderia ter ocorrido de outra forma. O Bruno poderia ter se entregado espontaneamente e não dado mais trabalho para a Justiça e para os policiais”. A mãe

*Com informações de Terra