Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha na Avenida Paulista, São Paulo - Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Lula (PT) encerrou sua campanha à reeleição neste sábado (24) com um ato que reuniu uma multidão de apoiadores ao longo da avenida Paulista, em São Paulo.

O candidato desfilou em um carro aberto ao som de jingles de campanha, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), da primeira-dama Janja e dos ex-ministros Fernando Haddad e Simone Tebet.

Durante o trajeto, segurou cartazes entregues por apoiadores, entre eles um com os dizeres “Mais livros, menos armas” e outro com “Perdi meus pais na pandemia”. Também exibiu um exemplar da Constituição e a bandeira do Brasil.

Apoiadores do petista tomaram a avenida desde a altura da alameda Pamplona até a rua da Consolação. O carro de Lula enfrentou dificuldades para se locomover em função da multidão aglomerada na Paulista e nas vias transversais ao longo do trajeto. No microfone, os locutores pediam que as pessoas caminhassem para que o veículo pudesse avançar. A reportagem do UOL viu ao menos cinco pessoas passarem mal durante a caminhada.

O próprio Lula fez um apelo aos manifestantes. “Essa é a passeata maior que já foi feita na historia da avenida Paulista e eu estou preocupado porque tem muito empurra-empurra aqui e tem gente passando mal”, disse o presidente, na altura do Masp, por volta de 17h15, quando desceu do veículo onde estava para se transferir a um trio elétrico maior.

A caminhada ganhou ao final clima de micareta, com os apoiadores dançando jingles em ritmo de piseiro e pagodão baiano, além de outras canções emblemáticas, como “O Bêbado e o Equilibrista”, na voz de Elis Regina, “AmarElo”, do rapper Emicida, e “Gente”, de Caetano Veloso.

O presidente não discursou, apenas agradeceu aos apoiadores e afirmou que era a maior manifestação da história. Antes, em coletiva de imprensa, Lula disse que “jamais imaginou disputar a eleição com um mentiroso, miliciano e desqualificado” e que está “convencido” de que vai vencer a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL).

“Eu confesso a vocês, depois de tantas campanhas que eu já participei, de conversar com tanta gente importante, jamais imaginei disputar a eleição com um mentiroso, um miliciano, um desqualificado como o rapaz que está disputando a Presidência da República”, disse Lula a jornalistas.

O presidente afirmou que o adversário “não tem nenhum compromisso com nenhuma verdade” e fez referência ao caso da menina Ana Clara, de 5 anos, morta com um tiro de fuzil em 2021, enquanto brincava na porta de casa na comunidade do Monan Pequeno (RJ).

Flávio é advogado e defendeu o policial Bruno Dias Delaroli, acusado de efetuar os disparos que atingiram a criança. “Uma pessoa dessa não tem condições políticas, morais e éticas para chegar à presidência da República”, disse o petista.

“Não é possível imaginar que um cidadão desse, num país de 215 milhões de habitantes, queira ser presidente da República. Por isso eu estou convencido que nós vamos ganhar as eleições” afirmou Lula.

O candidato à reeleição também afirmou que sua campanha trabalhou muito para convencer as pessoas que não foram votar, que anularam o voto ou os eleitores indecisos.

Antes da chegada de Lula, as ex-ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento) falaram à multidão na Paulista. Sem pedir votos, elogiaram a militância e saudaram a democracia à espera de Lula. “Daqui a pouco ele está conosco nessa passeata em rumo ao Planalto”, disse Marina. Os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio), Dario Durigan (Fazenda) e Márcio França (Empreendedorismo) também estão presentes no ato. O deputado estadual reeleito Eduardo Suplicy (PT) também participou do ato.

Lula comemora multidão

Após o ato, Lula falou em live e discursou da janela

Depois de deixar a avenida Paulista, Lula falou por telefone com André Janones (Rede-MG). A ligação ocorreu durante a transmissão ao vivo de 24 horas de duração que o deputado federal reeleito conduz desde o fim do debate de ontem (23). Lula fez referência ao canal “Exército do Lula”, criado por Janones e que alcançaou chegou 10 milhões de seguidores desde o início do turno. “Eu queria dizer pros nossos soldados que eles devem continuar acreditando, que a gente tem que trabalhar até amanhã as cinco da tarde, quando terminar o ultimo voto”, afirmou.

À noite, Lula falou a apoiadores da janela da casa onde mora em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Ele celebrou a manifestação como “possivelmente o maior ato da história” da avenida Paulista e atribuiu uma eventual vitória no segundo turno ao povo. “Eu fui candidato a presidente indicado por um partido politico, mas hoje a minha vitória é do povo brasileiro, porque vocês são mais do que os partidos políticos, vocês são homens e mulheres que estão preocupados com o futuro desse país”, afirmou.

Antes da Paulista, Lula esteve no Rio

De manhã, o presidente participou de um ato em Copacabana, no Rio, onde também atacou Flávio. “Não pode levar um miliciano para dentro do Palácio do Planalto. Não é possível que a gente não consiga convencer a sociedade brasileira do risco que a democracia e que as pessoas de bem desse país correm. Amanhã eu serei eleito presidente da República outra vez”, disse.

Lula disse também que, na votação de amanhã, os eleitores terão que escolher entre “alguém que beija a bandeira do Brasil e alguém que beija a dos Estados Unidos”, em referência à relação de Flávio e do bolsonarismo com o governo de Donald Trump. Em um carro aberto, o presidente e a primeira-dama se despediram da multidão com um apelo ao voto feminino.

Lula vota no ABC

No domingo, Lula vota em São Bernardo do Campo, na região metropolitana. O presidente e candidato à reeleição deve chegar ao local de votação pouco depois da abertura, às 8h, e retornar à capital no fim da tarde para acompanhar a apuração no Hotel Intercontinental com aliados.

*Com informações de Uol