Presidente Lula e presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram nesta manhã, por telefone - Fotos: Reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na manhã desta sexta-feira. Apesar de ter descrito o tom da ligação como “amistoso e cordial”, a assessoria de comunicação do Palácio do Planalto, em nota, revelou que Lula aproveitou a conversa para chamar as alegações norte-americanas para a recente imposição de tarifas contra produtos brasileiros são “infundadas”.
A declaração de Lula leva em conta as tarifas de 25% impostas exclusivamente ao país e a sobretaxa de 12,5% anunciadas sob a alegação de falta de controle de trabalho forçado, que atinge dezenas de outros países, e haviam sido determinadas com base em investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
O governo brasileiro acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), recentemente contra as medidas tarifárias.
Em conversa com Trump, ainda segundo a nota do Planaltop, Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida, incluindo desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado, são infundadas.
Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, o presidente afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil. O Presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível.
Segurança
O Presidente Lula reiterou ainda o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Lula argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas. Afirmou que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las.
Lula informou Trump sobre a estratégia do país de asfixiar financeiramente a criminalidade, que já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões , e sobre os planos de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima.
Também comentou sobre a aprovação da Lei Antifacção, que facilita a apreensão de bens e passaportes, bem como sobre a proposta de emenda constitucional que amplia o papel do governo federal na área de segurança pública em colaboração com os Estados da federação. E mencionou o estabelecimento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne oficiais de todos os países amazônicos.
O Planalto afirmou que o presidente Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área.
Guerra
Os dois presidentes ainda trocaram impressões sobre os principais conflitos globais, em especial as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Ambos concordaram sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos.
O Presidente Trump teceu considerações sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã.
O Presidente Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugerira aos P residentes Xi Jinping e Vladimir Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. E disse a Trump que “os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”
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