Explosão após bombardeio americano no Irã, em 8 de julho de 2026. Imagem divulgada pelo Exército dos EUA - Foto: via REUTERS - U.S. Central Command / RFI
A Guarda Revolucionária do Irã disse nesta quinta-feira (9) que voltou a atacar bases dos Estados Unidos no Bahrein, no Qatar e no Kuwait, três monarquias do Golfo aliadas de Washington.
Segundo meios de comunicação estatais, atingiram um sistema Patriot de interceptação de mísseis no Kuwait, um sistema de alerta antecipado no Qatar e tanques de combustível no Bahrein, com “um grande número e variedades de tipos de drones militares kamikaze”.
Um funcionário da Defesa americana disse à agência AFP, sob anonimato, que os ataques iranianos foram interceptados ou não causaram danos significativos.
Depois de ter voltado a ser alvo de ataques dos EUA, o regime iraniano denunciou um “crime de guerra” e está convencido de que Washington tenta sabotar o enterro de seu ex-líder supremo Ali Khamenei.
Os ataques americanos mataram ao menos 14 pessoas e feriram 78 em dois dias, informou o Ministério da Saúde iraniano. “Dos feridos, 47 continuam hospitalizados e os demais já receberam alta após atendimento médico”, escreveu Hosein Kermanpur, chefe de relações públicas do ministério, em rede social.
Poucas horas depois, o Irã afirmou que três soldados da Guarda Revolucionária haviam sido mortos. Não está claro se eles estão incluídos na contagem anterior.
O Exército americano, por sua vez, disse ter atingido cerca de 90 “alvos militares” no Irã, incluindo sistemas de defesa antiaérea, em sua última série de ataques, anunciou na noite de quarta-feira (8) o Comando Central dos EUA para o Oriente Médio (Centcom).
Segundo comunicado, o objetivo era “degradar ainda mais a capacidade do Irã de atacar o transporte marítimo comercial e marinheiros civis inocentes no estreito de Hormuz”.
O governo de Israel também se manifestou nesta quinta e disse que está pronto para atacar o Irã uma terceira vez, se necessário. A contagem de Tel Aviv se refere primeiro à guerra de 12 dias, no ano passado, quando se juntou a Washington em uma ofensiva contra o regime iraniano. A segunda vez, também atuando em conjunto com os EUA, foi em 28 de fevereiro deste ano, dando início à guerra corrente.
“O Exército está preparado e em alerta para uma retomada dos combates, a fim de recuperar a superioridade aérea e atacar novamente”, disse o ministro da Defesa israelense, Israel Katz. “Se tivermos de voltar, voltaremos com ainda mais força.”
O Irã desafia o presidente dos EUA, Donald Trump, com sua intenção de cobrar pedágio dos navios que transitam pelo estreito. Antes do atual conflito, a passagem pela via marítima era livre e responsável pelo tráfego de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo.
Washington acusa o Irã de ter atacado, na terça-feira (7), pelo menos três navios comerciais que transitavam pelo estreito. O chefe negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que Hormuz só abrirá plenamente sob “disposições iranianas”, por mais que os EUA defendam a liberdade de navegação, sem pedágios nem impostos.
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou também nesta quinta que são os ataques americanos e a intervenção no redirecionamento do tráfego marítimo que estão prejudicando a reabertura gradual da via navegável estratégica e colocando em risco os interesses dos países que dela se beneficiam.
A Guarda acrescentou que a capacidade de trânsito sob supervisão iraniana havia se recuperado para cerca de 50% dos níveis anteriores à guerra nas últimas duas semanas. Ainda segundo o comunicado, a capacidade de trânsito estava sendo expandida apenas para embarcações que receberam permissão para usar rotas designadas pelo Irã.
Trump deu a trégua por encerrada entre ambos os lados após a primeira rodada de ataques mútuos de quarta-feira (8). Horas depois, abriu a possibilidade de continuar dialogando
O Irã disse que os EUA atacaram infraestruturas civis. Segundo a chancelaria iraniana, pelo menos duas pontes que conduzem à cidade santa de Mashhad, onde Ali Khamenei ficará sepultado, foram atingidas. Os ataques obrigaram a suspender o serviço ferroviário entre Teerã e Mashhad, o que a Guarda Revolucionária apontou como uma tentativa de ofuscar o funeral.
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