O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República - Foto: Pedro França / Agência Senado
Com a derrota no segundo turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) ficará sem um cargo político após 24 anos. Ele não se elegeu à presidência da República neste domingo, 25, no embate direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio foi eleito para seu primeiro mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro, em 2022. Na época, ele tinha apenas 21 anos, mas já havia iniciado a vida pública aos 19 anos de idade, como assistente técnico da liderança do Partido Progressista Brasileiro (PPB), atual Progressistas, em Brasília.
Nos anos de 2006, 2010 e 2014, Flávio foi reeleito para seu cargo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em 2016, ele tentou uma candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro, mas não foi eleito.
Em 2018, Flávio se candidatou ao Senado Federal, também pelo Rio de Janeiro, e conseguiu se eleger com quase 4,4 milhões de votos. Como o mandato para o Senado dura oito anos, ele ainda pode retomar sua cadeira na Casa até janeiro de 2027.
Caso Flávio tivesse sido eleito presidente da República, quaisquer investigações contra ele seriam paralisadas até que ele deixasse o cargo, graças à Constituição Federal, que prevê que o presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.
Flávio Bolsonaro tem dois inquéritos criminais abertos e um pedido de abertura de investigação que aguarda apreciação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os procedimentos tramitam na Corte em razão das regras de competência aplicáveis ao senador, que tem foro por prerrogativa de função nos casos previstos pela Constituição.
Mesmo após deixar o cargo, Flávio poderá continuar sendo julgado pelo STF por crimes praticados durante o mandato e relacionados ao exercício da função, conforme entendimento firmado pela Corte em 2025. A eventual mudança de competência, porém, depende da análise de cada caso.
Entre as investigações está o caso envolvendo o Banco Master e o filme Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento da produção.
Uma reportagem do Intercept Brasil revelou mensagens e planilhas apreendidas pela Polícia Federal (PF) que indicam que Flávio pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 131 milhões para financiar o filme, dos quais R$ 60 milhões teriam sido pagos. Flávio nega irregularidades e afirma que não houve uso de dinheiro público na produção.
Outro inquérito foi aberto em abril de 2026 para apurar suspeita de calúnia contra o presidente Lula. A investigação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes após uma publicação de Flávio na rede social X, em janeiro.
A postagem atribuía ao presidente supostos vínculos com tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e apoio a terroristas. Em junho, a PF concluiu a investigação e apontou indícios de calúnia. O caso foi encaminhado à Suprema Corte para as providências cabíveis.
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