Às vésperas da COP30, entraves básicos como a ausência de tratamento adequado de resíduos sólidos ainda comprometem a capacidade do Brasil de reduzir emissões de gases do efeito estufa - Foto: Assessoria
O Brasil assumiu compromissos ousados no Acordo de Paris e em sua NDC mais recente: reduzir entre 59% e 67% das emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE) até 2035 e atingir a neutralidade de carbono até 2050. Para isso, no entanto, é preciso enfrentar com seriedade os setores que mais emitem — como o de resíduos sólidos urbanos, responsável por mais de 90 MtCO₂e por ano no Brasil. Cerca de 65% dessas emissões vêm da disposição final inadequada, como lixões e aterros irregulares.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) completou mais de uma década, porém, mais de 3.000 lixões ainda estão em operação. O estado do Amazonas lidera esse ranking: 91,9% dos municípios ainda descartam seus resíduos de forma irregular.
Em Manaus, maior geradora de resíduos do Amazonas, o desafio é explícito. A cidade produz diariamente cerca de 2,4 mil toneladas de lixo, segundo dados da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), o que representa aproximadamente 864 mil toneladas de resíduos por ano. Todo esse volume é destinado a um aterro controlado que deveria ter sido desativado. Em 2021, um laudo técnico do IPAAM reclassificou o local como “vazadouro”, apontando sérias falhas ambientais — entre elas, a possível contaminação do Rio Negro por chorume. O documento afirmou que, mesmo com melhorias estruturais, não haveria como impedir o vazamento do lixiviado para o solo e os corpos d’água próximos. A conclusão foi categórica: “não há como o local atender à legislação vigente”.
Apesar disso, a prefeitura de Manaus mantém o uso do espaço com base em uma liminar judicial que prorrogou o funcionamento do aterro até 2028.
O desafio, agora, não é técnico — mas institucional e político. A prefeitura precisaria investir mais de R$ 200 milhões para construir um novo aterro sanitário próprio, valor considerado inviável frente à atual estrutura orçamentária. Com alternativas prontas para operar, o cenário coloca em xeque a racionalidade da gestão pública.
Como destacou o secretário nacional de Meio Ambiente Urbano e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Adalberto Maluf, durante seminário realizado em Manaus pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), “existem soluções mais econômicas e sustentáveis disponíveis, com estruturas prontas para funcionar. É preciso construir consensos e parar de empurrar o problema”.
A deputada estadual Débora Menezes (PL-AM) utilizou o tempo na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) para enaltecer os trabalhos de fiscalização da...
Investir em energia solar tem se tornado uma alternativa cada vez mais procurada por consumidores e empresários em busca de economia e sustentabilidade. Pensando...