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O vice-presidente Geraldo Alckmin descartou na noite de hoje o uso imediato da Lei da Reciprocidade para retaliar os Estados Unidos pelo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.

Alckmin afirmou que retaliação não é o foco do governo brasileiro contra as novas taxas. Segundo o vice-presidente, a Lei da Reciprocidade serve como um instrumento de defesa, mas deve ser usada com cautela e no momento oportuno.

Vice-presidente usou uma metáfora popular para justificar a postura diplomática do Brasil. “Olho por olho pode acontecer dos dois ficarem cegos”, disse Alckmin após se reunir com empresários de setores afetados pelas tarifas que entram em vigor nesta quarta-feira.

Indústria de máquinas e equipamentos se posicionou firmemente contra qualquer tipo de revanche comercial. O presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, pediu formalmente ao governo que evite aplicar a Lei da Reciprocidade para não fechar canais de diálogo com Washington.

Setor privado defende que a saída para o impasse comercial deve ser pragmática e diplomática. “A reciprocidade ou qualquer retaliação só tiraria o Brasil da mesa de negociação”, avaliou Velloso após encontro com Alckmin e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Impacto bilionário e socorro à indústria

Tarifaço de 25% anunciado pelo governo de Donald Trump atinge cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA. O prejuízo estimado é de US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões), com forte impacto nos setores de madeira, minerais, químicos e alimentos.

Empresários pediram ao governo federal mudanças no programa de crédito emergencial Brasil Soberano. A Abimaq sugeriu a redução de juros, isenção de IOF e o adiamento do pagamento de impostos federais para aliviar o caixa das empresas afetadas.

Ministério do Desenvolvimento garantiu que o país não vai ceder às pressões. O ministro Márcio Elias Rosa declarou que o Brasil é “vítima no processo”, mas não ficará “amedrontado diante da potência americana”.

Governo federal planeja recalibrar o programa de apoio financeiro sem estourar o orçamento. Dario Durigan, da Fazenda, prometeu reforçar as linhas de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para manter o compromisso com as regras fiscais.

*Com informações de Uol