Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução / Flickr

A elite empresarial do país vê a disputa à Presidência da República com uma vantagem ao candidato e senador do PL, Flávio Bolsonaro. Para empresários e executivos o resultado do primeiro turno é consequência da postura do governo petista de não ter ouvido, nos últimos anos, os diferentes grupos que o apoiaram no segundo turno de 2022.

O filho do ex-presidente da República teve mais votos do que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno e, para as fontes ouvidas pela reportagem, ele ascendeu como favorito nas eleições que serão decididas no segundo turno, no dia 25 de outubro.

Na visão de Pedro Passos, acionista da companhia de beleza Natura, o desenho do segundo turno está traçado, com a vitória da direita no Senado e nos governos estaduais.

A expectativa de empresários é que os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) irão majoritariamente para Flávio Bolsonaro. E que ele terá como reforço na campanha no segundo turno o apoio de governadores eleitos, como Tarcísio de Freitas, em São Paulo.

Passos vê com preocupação a falta das discussões de ambos os candidatos sobre a agenda econômica.

“Vamos enfrentar pela frente uma recessão vista pós-governo Dilma [Rousseff], independentemente do candidato que vencer o segundo turno”, disse Passos, lembrando que o endividamento das famílias e a quebradeira das empresas que entraram em recuperação extrajudicial e judicial estão em níveis recordes.

“Nenhum dos candidatos fez um debate sério com essa sinalização [para a área econômica]”, afirmou.

Além do aprofundamento das propostas econômicas pelos candidatos, o empresariado avaliará a divisão de forças com o Congresso. “Será preciso ver como direita e centro-direita vão conversar no Senado. Vai haver uma disputa de poder entre as duas forças”, disse um empresário.

Lula afastou empresariado

Para Ricardo Lacerda, presidente do banco de investimento BR Partners, a onda azul a favor de Flávio Bolsonaro surpreendeu. “A tendência é ele consolidar essa vantagem no segundo turno, como aconteceu em todas as eleições que tiveram dois turnos. Esse resultado reflete uma exaustão do modelo de governo do PT, com grandes gastos e juros muito altos.”

Os resultados da eleição refletem o fato de Lula ter ignorado a frente ampla que o elegeu em 2022, governando apenas para seu eleitorado cativo do PT, disse um empresário da indústria. Segundo ele, o grupo dos apoiadores mais alinhados a uma ideologia “liberal social” se sentiu abandonado por ele e se dispersou em 2026.

“O governo não mostrou abertura. Tinha uns 2 ou 3 [empresários] ungidos pelo governo que o PT ouvia. O resto, ignoraram”, afirmou.

Esses empresários, contudo, acreditam que o presidente Lula errou na falta de interlocução com o setor privado. “Houve uma soberba do PT”, disse uma das fontes.

Ainda há chance de Lula buscar aproximação com o empresariado na reta final da campanha, mas a visão é de que será mais difícil conseguir apoio do que em 2022.

Crise no STF

Lacerda, da BR Partners, ressaltou que as urnas mostram de forma muito contundente que a população quer mudanças no Judiciário e no Supremo Tribunal Federal. “O STF foi o grande eleitor de hoje (4 de outubro)”, disse.

Empresários ouvidos sob condição de anonimato veem uma crise institucional no Judiciário, com possibilidade de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, mas não acreditam, por ora, numa ruptura institucional caso Flávio Bolsonaro seja eleito no dia 25.

Um executivo de um grande banco de varejo disse que a crise no Judiciário deverá ser superada.

Para outro empresário da indústria, que falou sob sigilo, as agendas da educação, saúde e relações exteriores devem ser fragilizadas caso Flávio Bolsonaro ganhe. “É muito ruim o Brasil se indispor com a China, importante parceiro comercial”, afirmou.

*Com informações de Uol