
A Defensoria Pública do Amazonas (DPAM) realizou, nesta quarta-feira (23), uma audiência pública com moradores que residem às margens do Igarapé Liberdade, no km 590 da BR-319, no Distrito de Liberdade, em Humaitá, no sul do Amazonas. O encontro, coordenado pelo Núcleo de Moradia e Atendimento Fundiário (Numaf), teve como objetivo colher informações preliminares e identificar os moradores que vivem em casas que serão diretamente afetadas pela construção de uma nova ponte sobre o igarapé.
Durante a reunião, representantes de oito famílias levaram as suas demandas e seus interesses acerca da obra. O defensor público Thiago Rosas explica que essas famílias, que vivem às margens do igarapé, são consideradas povos tradicionais e têm o direito à consulta livre, prévia e informada, assegurado pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
“Essas famílias devem ser consultadas sobre o que vai acontecer, como será realizado e se há a necessidade da determinada obra ou intervenção, para que a comunidade possa influenciar nas decisões de políticas públicas, o que inclui o direito à moradia”, destacou.
O defensor explica que a mediação de conflitos é um dos escopos do projeto ‘Gente da 319’ e que a Defensoria vai atuar na construção de consenso entre os moradores, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a empresa vencedora da licitação, para que não haja prejuízo ao desenvolvimento da região, bem como à população vulnerável que vive às margens da ponte.
“O desenvolvimento sustentável da nossa região não pode ser feito de forma arbitrária ou absoluta. É necessário ouvir as pessoas que estão sendo afetadas diretamente para entregar o que elas precisam por direito, desenvolvendo nosso asfalto e nossas pontes, construir um estado melhor para todos”, enfatizou.
Moradora da comunidade desde a infância, Maria de Fátima Santana, 63, destacou a importância da atuação da Defensoria na mediação das demandas das famílias afetadas pela construção da ponte. “Eu me sinto respeitada e acolhida. É muito bom ter um órgão para nos representar. Nós vemos que não estamos mais abandonados aqui”, afirmou.
Em 1973, com apenas 10 anos de idade, Maria de Fátima se mudou com a família para as margens do igarapé, antes mesmo dele ganhar o que também viria a ser o nome do distrito.
A comerciante relembra as dificuldades enfrentadas durante a infância, como o isolamento geográfico e a escassez de alimentos após a chegada em Liberdade.












