Uma nova agenda para reconhecer, mensurar e valorizar o trabalho dos povos e comunidades que mantêm a Amazônia viva foi lançada no último sábado, dia 12 de setembro, no arquipélago do Marajó, localizado no interior do Pará, com a Carta de Compromisso Dudu da Floresta. O documento, apresentado no encerramento da Semana Dudu da Floresta – Sociobiodiversidade e Bem-Viver, propõe avançar na construção do conceito de Economia da Floresta Viva e reunir conhecimentos tradicionais, pesquisa acadêmica e políticas públicas para reconhecer o valor gerado nos territórios amazônicos.
O texto foi elaborado pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade de Brasília (UnB) e também foi assinado pela economista Mariana Mazzucato, professora da University College London (UCL) e diretora fundadora do UCL Institute for Innovation and Public Purpose (IIPP). A carta completa está disponível aqui: https://cnsbrasil.org/carta-compromisso-dudu-da-floresta/.
“O projeto entre o UCL IIPP, o CNS, a UnB, o MMA e a UFPA é uma grande oportunidade para valorizar os conhecimentos históricos, a inovação e os sistemas de produção dos povos tradicionais que vivem na floresta e cuidam dela todos os dias. Esta é uma oportunidade de reverter a forma hierárquica como Estados, ONGs e empresas têm se relacionado com povos indígenas e comunidades tradicionais. Precisamos valorizar seus conhecimentos e colocá-los no centro da formulação de políticas como o Bolsa Verde, o Fundo Amazônia e o Tropical Forests Forever Facility, além de outras abordagens que devem promover fluxos diretos de recursos para povos indígenas e comunidades tradicionais, porque eles são geradores de valor público e de bens comuns fundamentais para toda a sociedade. Estamos muito animados para iniciar esta colaboração.”, comentou Mariana Mazzucato.
A Carta de Compromisso Dudu da Floresta representa o início de uma articulação que pretende conectar conhecimentos tradicionais, pesquisa acadêmica e políticas públicas para construir novas formas de compreender e valorizar as economias desenvolvidas nos territórios amazônicos. A proposta parte do reconhecimento de que a floresta gera benefícios que ultrapassam seus territórios e alcançam toda a sociedade. Por isso, o desafio colocado pelos signatários é criar formas de mensurar e reconhecer o valor público produzido por quem conserva a biodiversidade, protege os recursos naturais e desenvolve atividades econômicas sem destruir o meio ambiente.
Para Edel Moraes, secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o reconhecimento de quem vive no território precisa considerar não apenas o papel que desempenham na conservação ambiental, mas também as economias construídas a partir de seus conhecimentos e modos de vida.
“Os povos da floresta fazem mais do que proteger a Amazônia: por meio de seus conhecimentos, modos de vida e do trabalho de gerações, mantêm a floresta viva e geram economias que criam valor para seus territórios, para o Brasil e para o mundo”, declara Edel, que também é filha de Dudu da Floresta.
Homenagem
Além de promover o debate sobre o futuro dos territórios amazônicos, a Semana Dudu da Floresta homenageou a trajetória de Dulcimar Baratinha de Moraes, conhecido como Dudu da Floresta, liderança de Curralinho que teve atuação na organização das populações extrativistas, na criação da primeira associação comunitária do Rio Canaticú e no fortalecimento de práticas sustentáveis de manejo do açaí.
O primeiro dia contou com uma solenidade em homenagem a Dudu, que reuniu familiares, entre eles sua esposa, Dona Célia, e amigos, além do Seminário dos Projetos de Assentamentos Extrativistas de Curralinho, na comunidade Sagrada Família. O encontro reuniu mais de 120 pessoas e promoveu atividades de levantamento de referências culturais, cartografia social, organização comunitária e discussões sobre Projetos de Assentamento Extrativistas e Reservas Extrativistas (Resex), entre outros temas relacionados à garantia dos direitos territoriais.













