Bets se tornaram uma questão de saúde pública no Brasil - Foto: Joedson Alves / Agência Brasil

Bets que patrocinam programas de televisão notificaram emissoras como Globo, Band e RedeTV!. Elas afirmam que vão rescindir contratos caso Lula endureça as restrições de funcionamento ou decida banir as casas de apostas no Brasil.

Atualmente, o setor é um dos que mais anunciam em programas de TV aberta. Somente em agosto, conforme a Tunad, empresa que monitora publicidade no mercado, foram R$ 153 milhões investidos em intervalos comerciais e cotas de patrocínio.

Até o momento, quatro empresas começaram a agir: Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte. As casas de apostas também notificaram clubes de futebol da Série A do Campeonato Brasileiro sobre a possibilidade de rescisão contratual.

A coluna apurou que as bets consideram que a proibição poderá inviabilizar o setor e que não faria sentido, até para as emissoras, continuar com entregas comerciais caso a medida seja colocada em vigor.

Áreas comerciais das empresas de comunicação já estão no mercado buscando alternativas para substituição dos espaços comprados pelas bets.

A Record se antecipou e decidiu não negociar uma cota de patrocínio do reality A Fazenda com a Betano, que estava na atração desde 2021. A Band, que vendeu os naming rights dos programas Jogo Aberto e Os Donos da Bola para bets, avalia o que fazer.

Em declarações ao podcast Desce a Letra Show na semana passada, o presidente Lula disse ter “disposição pessoal” para acabar com o jogo. Antes de adotar o discurso da restrição a estas modalidades de aposta, o PT votou contra uma emenda que tentava barrar os cassinos online, entre eles o jogo do tigrinho, quando o projeto de regulamentação das bets foi aprovado pelo Congresso, em 2023.

“Você lembra quando surgiu o crack? O cara viciado, ele chegava em casa, vendia o botijão. As bets estão assim. As pessoas estão vendendo o que não têm, se endividando”, disse Lula ao podcast.

O presidente também afirmou que o governo já realizou três reuniões para tratar de possíveis restrições às bets em encontros que reuniram membros da Presidência, da Casa Civil, da Fazenda e do Ministério da Justiça. Integrantes do governo presentes aos encontros dizem que não há nada definido, nem prazo para publicação da medida. Interlocutores dizem esperar uma decisão de alto impacto.

Em uma reunião com representantes da sociedade civil, influenciadores e artistas no último dia 1º de setembro, o presidente Lula recebeu os autores de um projeto de lei que proibiria o jogo do tigrinho e a propaganda de bets, tanto em eventos esportivos quanto nas redes sociais.

Os participantes apresentaram estudos sobre os custos das plataformas para a saúde, além do risco do jogo para menores de idade e mais pobres.

*Com informações de f5