Enchentes e deslizamentos de terra devastaram Nuwakot, no Nepal - Foto: Safal Prakash Shrestha / IMAGO / JNA Press

Ao menos 160 pessoas morreram após enchentes repentinas atingirem áreas turísticas na fronteira do Nepal com o Tibete na manhã de hoje. A inundação deixou 484 desaparecidos no Nepal, dos quais 391 são estrangeiros e 93 são nepaleses, e 265 na região do Tibete.

As equipes de resgate no Nepal recuperaram ao menos 157 corpos até o momento, informou a polícia. Os corpos foram recuperados nas áreas fronteiriças do Himalaia: Rasuwa (3), Nuwakot (13), Dhading (27), Chitwan (64), Gorkha (19), Tanahun (9) e Nawalparasi Leste (22).

Pelo menos três pessoas morreram e 265 estão desaparecidas no Tibete, segundo a emissora estatal chinesa CCTV. O número exato de vítimas ainda está sendo verificado, acrescentou a emissora. O Tibete é uma região autônoma da China e fica situado a sudoeste do país.

A mídia local informou que 65 pessoas estavam sendo tratadas em hospitais da região e da capital nepalesa, Katmandu. Imagens de televisão mostraram casas destruídas pelas águas da enchente, carros flutuando e uma ponte metálica sendo levada pela correnteza, enquanto testemunhas relataram à Reuters que as águas engoliram vilas inteiras.

Bloco de gelo que despencou de geleira pode ser causa de inundação no Nepal. Pesquisadores estimam que o rompimento ocorreu a cerca de 65 km ao norte de Katmandu e que o fluxo seguiu em direção ao rio Bhote Koshi, na fronteira com o Tibete. O bloco teria cerca de 600 m de largura e teria despencado de uma altitude próxima de 5.200 m, com queda de cerca de 1.200 m, segundo a avaliação.

Serviço Geológico dos EUA corrigiu informação e disse que não houve terremoto em área de avalanche no Nepal. Inicialmente, Inicialmente, o órgão havia publicado a informação de que um terremoto de magnitude 4,4 havia sido registrado por seus sistemas pouco antes da enchente repentina. Em um novo comunicado, o USGS afirmou que tremor reportado não existiu.

“Análises adicionais de ondas sísmicas de longo período indicam que a energia sísmica foi, na verdade, gerada por um deslizamento de terra. A localização do evento foi estimada a partir de imagens de satélite.” afirmou o Serviço Geológico dos EUA.

No Nepal, o número de turistas desaparecidos aumentou para 484, dos quais 391 são estrangeiros e 93 são nepaleses. Entre eles, há 12 britânicos, 105 indianos, quatro sul-africanos, 17 malaios, três americanos e um australiano e um holandês. Oito sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica também estavam desaparecidos.

Casas encontram-se parcialmente submersas em águas barrentas à beira de um rio após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal – Foto: Prabin RANABHAT / AFP via Getty Images / BBC News Brasil

Ainda não se sabe quantos moradores locais estão desaparecidos. Em termos de infraestrutura, as inundações danificaram 19 pontes e 40 km de estradas. A inundação atingiu Syabrubesi, ponto de partida da popular rota de ‘trekking’ de Langtang, assim como outras áreas usadas por viajantes na peregrinação hindu até Kailash Mansarovar.

“Vi quando as águas arrastaram oito ou nove caminhões, além de casas e pessoas. Foi absolutamente desolador (…) fui testemunha de uma devastação de uma magnitude que nunca tinha visto nada igual.” afirmou Suman Chalise, professor, 34, na localidade nepalesa de Nuwakot.

Cheias que atingiram vilas e pontos turísticos se formaram no rio Bhote Koshi, perto do distrito de, Rasuwa, ao norte de Katmandu. Vídeos divulgados nas redes sociais e verificados pelo canal britânico BBC mostram prédios sendo derrubados pela força da água. As imagens também mostram dezenas de pessoas sendo arrastadas na fronteira, com as autoridades de ambos os lados temendo um número muito maior de vítimas e destruição em grande escala.

Ao menos 88 pessoas foram resgatadas após as enchentes, segundo o Exército, mas centenas seguem desaparecidas. Estradas estão fechadas, e a autoridade de Gestão de Eletricidade relatou danos em várias instalações locais, incluindo barragens e usinas solares, com registro de cortes de energia.

O Exército do Nepal enviou 14 helicópteros e equipes de resposta a desastres para as áreas atingidas. As águas altas, porém, impedem pousos em Syapru Besi e Timure, no distrito montanhoso de Rasuwa.

A Cruz Vermelha está destinando 1,2 milhão de dólares para os trabalhos emergenciais. A entidade informou que a quantia será destinada ao atendimento de vítimas e para a avaliação da destruição nos locais afetados.

Narendra Pariyar, administrador distrital, alertou para a possibilidade de muitas vítimas e perdas materiais. Ele pediu que moradores às margens do rio Bhote Koshi buscassem áreas mais altas.

Raju Bhadel, 56, contou que recebeu uma ligação do cunhado durante a manhã. “Eles estavam chorando e disseram que a casa deles foi destruída. Três parentes foram resgatados, mas o irmão dele continua desaparecido”, afirmou.

Cheia afeta fronteira com a China

Um deslizamento atingiu o porto chinês de Gyirong e interrompeu estradas, comunicações e o fornecimento de energia na região de Shigatse. O local fica perto da fronteira entre China e Nepal.

O presidente chinês, Xi Jinping, pediu a intensificação das buscas pelos desaparecidos e o reforço de sistemas de monitoramento e alerta. A medida busca evitar novos desastres após o deslizamento.

Outra enchente no rio Bhote Koshi matou nove pessoas e deixou 24 desaparecidos em 2025. O episódio foi atribuído à drenagem de um lago supraglacial no Tibete e destruiu uma ponte que ligava Nepal e China.

Nepal é área de risco para o derretimento das geleiras

O Nepal está localizado em uma área de risco para o derretimento das geleiras devido ao aquecimento global. A causa das devastadoras inundações no país ainda não está clara.

Essa avalanche provavelmente bloqueou o rio Bhotekoshi e liberou uma onda repentina rio abaixo. A declaração é do especialista Saswata Sanyal, do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas em Katmandu, uma organização climática regional. “Esses são riscos em cascata”, acrescentou em entrevista à CNN, pois o que acontece nas montanhas geladas pode inundar rapidamente as cidades rio abaixo.

Embora as avalanches possam ser causadas por diversos fatores, as mudanças climáticas frequentemente desempenham um papel importante. O Nepal, na região do Himalaia, que está aquecendo rapidamente, abriga milhares de geleiras que estão derretendo e se desestabilizando com o aumento das temperaturas.

O Nepal é particularmente vulnerável a rompimentos de lagos glaciais, afirmam os especialistas. O fenômeno é, por vezes, descrito como “tsunami terrestre”, onde as poças de água formadas pelo derretimento das geleiras ficam tão cheias que transbordam, lançando água e detritos pelas encostas íngremes das montanhas.

*Com informações de Uol