Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula (PT) publicou hoje um artigo no jornal americano ‘”The Washington Post” no qual critica a imposição de novas tarifas a produtos brasileiros determinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pede um “diálogo aberto e construtivo” entre os países. O petista ainda defendeu a soberania do Brasil no texto.

Lula afirmou que tentativas de impor condicionantes ideológicos à parceria entre EUA e Brasil para fins eleitorais não prosperarão. “Ninguém nos vencerá por meio de mentiras”, escreveu.

“Estamos prontos para continuar mantendo um diálogo aberto e construtivo, como exige a relação entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos. Mas o destino do Brasil cabe apenas aos brasileiros determinar — sem interferência estrangeira ou subserviência.” afirmou Lula em artigo publicado no “The Washington Post”.

O artigo foi publicado um dia após o Itamaraty anunciar que negou visto para entrada de dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA. Segundo reportagem do “Washington Post”, o objetivo da visita seria questionar a segurança do sistema eleitoral brasileiro. Em nota, o governo americano disse que a missão era uma visita rotineira e chamou de “mentira infundada” a acusação sobre tentativa de prejudicar as eleições de uma nação democrática.

No artigo, o petista afirma que o primeiro tarifaço, anunciado no ano passado, tinha motivação política explícita. Ele lembra que, ao anunciar a medida, Trump fez referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF por tentativa de golpe de estado. Meses depois, a Casa Branca removeu as tarifas e citou que conversas com Lula foram importantes para que isso acontecesse.

Lula chamou as novas tarifas de “injustas” e as classificou como um “erro estratégico”. O presidente elencou setores da indústria americana que dependem de insumos brasileiros e argumentou que alimentos, calçados, têxteis, móveis e autopeças ficarão mais caros para consumidores americanos.

Ele ainda chamou de infundadas as alegações de Trump para justificar as novas tarifas. Entre as reclamações formais dos EUA estão questões como o desmatamento, decisões do STF sobre big techs, o serviço de pagamentos Pix e acordos comerciais com países terceiros (especialmente México e Índia).

“A liberdade de expressão não é um salvo-conduto para atividades criminosas nas plataformas de redes sociais — não abriremos mão de proteger nossas famílias e nossas crianças da ganância de um punhado de oligarcas da tecnologia. Nosso sistema de pagamentos, o Pix, não discrimina empresas americanas e é uma referência internacional em infraestrutura pública digital.” disse Lula em artigo publicado no “The Washington Post”.

O petista defendeu reciprocidade. Lula disse que respeita a soberania de outros países e que negocia com quem sabe respeitar a soberania do Brasil. “A reciprocidade é a base de toda relação entre nações, e dispomos dos mecanismos adequados para garanti-la”, escreveu.

Duplo tarifaço

Os Estados Unidos aplicaram uma sobretaxa de 12,5% à tarifa de 25%, totalizando 37,5%. Como justificativa, o país argumentou suposta falha na fiscalização na importação de bens produzidos com trabalho forçado. Outros 88 países também foram sobretaxados sob a mesma justificativa. O governo brasileiro contesta essa justificativa.

Tarifa de 25% é por “práticas desleais”, o que inclui o Pix. Segundo o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), a tarifa representa uma reação a ordens da Justiça brasileira contra a remoção de conteúdos das redes sociais dos EUA e a expansão do Pix, considerado prejudicial para os serviços de pagamentos norte-americanos. Além disso, os EUA citam falhas no combate ao desmatamento e à corrupção.

*Com informações de Uol