Javier Milei discursa em evento do PL de Flávio Bolsonaro em São Paulo - Foto: Reprodução / Youtube / Partido Liberal

O presidente da Argentina, Javier Milei, esteve em São Paulo neste sábado, 25, para participar da convenção nacional do Partido Liberal (PL), que confirmou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. O evento foi realizado no Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, e reuniu lideranças bolsonaristas e apoiadores.

O discurso de Milei foi marcado por duras críticas ao governo Lula e à esquerda. “Confiamos em Flávio para parar o lixo socialista”, disse Milei. Ele ainda disse que os argentinos são “profetas de um futuro distópico”.

“O clamor da liberdade deixamos para o final, assim fazemos com tudo. Tenho algumas coisas que gostaria de transmitir a vocês. Desde que assumi a presidência da República Argentina, venho insistindo em uma ideia particular: nós, argentinos, somos profetas de um futuro distópico. Vivemos as consequências de trilhar o caminho do socialismo até o fim, e vimos como a nossa nação, de ser uma potência mundial, os esquerdista de m**** nos afundaram na pobreza”, disse o presidente.

“Acredito firmemente que não há outro capaz de acabar com o ‘Risco Lula’ que pende sobre o Brasil como uma espada de Dâmocles. E sei que não há outro com a força para enfrentar as organizações criminosas e cartéis de narcotráfico que mantêm tantos bairros, comunidades e até cidades inteiras como reféns. Apenas alguém com uma vontade de ferro pode enfrentá-los, porque não é simples levar adiante semelhante batalha. E nisso, confio plenamente no meu amigo Flávio Bolsonaro!”, afirmou.

Milei seguiu criticando o “socialismo brasileiro”. “O que quero dizer a vocês é que o Brasil ainda não viveu as consequências mais nefastas e profundas deste modelo, mas pode vivê-las se não der uma volta no leme. Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar o lixo socialista”, pontuou.

O argentino ainda saudou Jair Bolsonaro durante o discurso. “Estimado Jair, te abraço à distância. O que os burocratas hoje estão impedindo, em breve se fará realidade e voltaremos a nos dar um abraço com o querido Jair Bolsonaro! Por isso, considero que Flávio é a pessoa que hoje pode parar o Lula e se colocar à frente de uma verdadeira mudança para todos os brasileiros”.

Ele terminou com sua frase de efeito, que costuma usar em eventos políticos da direita. “Vamos Flávio! Vamos para a frente! Façam o Brasil grande novamente! Que Deus abençoe a todos, que as forças do céu nos acompanhem e viva a liberdade, c******!”.

Milei no Brasil

A vinda do presidente argentino ao Brasil acontece em meio à baixa popularidade de seu governo, motivada por um escândalo recente de corrupção, e pelas dificuldades econômicas vividas pela Argentina.

A figura de Milei serve para dar corpo à base ideológica da campanha de Flávio Bolsonaro, em um momento em que o PL é visto como isolado politicamente, sem uma chapa e nem apoios partidários definidos até o momento. A presença também é vista como uma forma de consolidar a extrema direita em países latino-americanos.

Antes da convenção do PL, Javier Milei recebeu a Ordem do Ipiranga no Palácio dos Bandeirantes, com Tarcísio. Essa é a mais alta honraria concedida pelo Estado de São Paulo.

Após a convenção do PL, o presidente argentino segue para a posse de Keiko Fujimori no Peru. Depois, viaja ao Equador, onde se reúne com o presidente Daniel Noboa, também conservador, segundo a Reuters. Na sequência, Milei visita a Colômbia para a posse de Abelardo de la Espriella.

Evento em SP confirmou pré-candidatura de Flávio Bolsonaro

A definição do nome de Flávio como representante do bolsonarismo ocorreu em dezembro do ano passado, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou que o filho seria o responsável por disputar o Palácio do Planalto em 2026.

Desde então, entretanto, a pré-campanha acumulou uma série de desafios. O senador precisou lidar com a repercussão do caso envolvendo o Banco Master, enfrentou uma crise pública com Michelle Bolsonaro, viu crescer a dificuldade para conquistar o eleitorado feminino, foi alvo de críticas relacionadas às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e ainda encontra obstáculos para atrair partidos do Centrão.

Até o momento, a tentativa de formar uma coligação ampla não avançou. O PP já indicou que permanecerá neutro no primeiro turno da disputa presidencial. Como integra a federação União Progressista com o União Brasil, a posição indica que a sigla também não irá declarar apoio à candidatura de Flávio. O Republicanos, legenda de Tarcísio de Freitas, também avalia a possibilidade de adotar a mesma estratégia.

*Com informações de Terra