Embarcações aguardam passagem após o fechamento do Estreito de Hormuz - Foto: Stringer / Reuters

O bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos ao Irã entrou em vigor às 17h (horário de Brasília) de hoje, segundo o Centcom (Comando Central dos Estados Unidos), responsável por operações militares no Oriente Médio e Ásia. O Irã ainda não se manifestou.

Bloqueio naval é válido para embarcações em trânsito com origem e destino a portos e áreas costeiras iranianas, independentemente da bandeira. Ele abrange todos os portos, terminais petrolíferos e áreas costeiras do Irã. O comando norte-americano informou que, atualmente, há mais de 20 navios de guerra da Marinha dos EUA e centenas de aeronaves militares operando em todo o Oriente Médio.

“As forças americanas permanecem vigilantes, letais e prontas”, declarou o Centcom no X. Eles não informaram se já interceptaram alguma embarcação.

Às 16h28, o Centcom divulgou que as forças norte-americanas começaram a lançar uma rodada adicional de ataques contra o Irã pelo quarto dia consecutivo. As ações visam degradar as capacidades iranianas usadas, segundo os EUA, para atacar o transporte comercial no Estreito de Hormuz.

Estados Unidos anunciaram ontem que o bloqueio teria início às 17h desta terça. O comunicado foi divulgado pelo Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC, em inglês), liderado pela Marinha dos EUA, depois que o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão assumir o controle do Estreito de Hormuz.

“Qualquer embarcação suspeita de entrar ou sair da área bloqueada sem autorização está sujeita a interceptação, desvio e captura”, diz a nota do JMIC. Segundo o centro, as embarcações que não cumprirem as regras poderão ser compelidas mediante o uso da força.

Trânsito neutro pelo Estreito de Hormuz, com destino ou origem em países que não o Irã, não será impedido, de acordo com o JMIC. As remessas humanitárias também serão permitidas, mas estarão sujeitas a inspeções.

“Navios que auxiliam embarcações a contornar o bloqueio, realizando transferências de carga entre navios, são suspeitos de trabalhar com ou para o Irã e estarão sujeitos a abordagem. As medidas coercitivas incluem incapacitação e incêndios em embarcações que não demonstrarem cooperação imediata com as forças de bloqueio/abordagem.” afirmou o JMIC, em nota.

Sepultamento de Aiatolá Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, em Mashhad – Foto: Alkis Konstantinidis / Reuters

Ontem, o líder republicano informou a reinstauração do bloqueio aos portos iranianos. Segundo ele, o canal marítimo permanecerá aberto, com ou sem o Irã, e o bloqueio impede apenas que navios ou clientes do Irã entrem ou saiam. “Todos os outros países terão acesso justo e livre ao estreito. O processo e a estruturação começarão imediatamente.”

O que Trump disse

Ontem, Trump declarou que os EUA deverão se tornar guardiões de Hormuz, rota fundamental para o abastecimento de petróleo. “Talvez o chamemos de ‘anjo da guarda do estreito’. “E deveríamos ser reembolsados por isso”, disse o republicano em uma entrevista por telefone ao programa Fox & Friends, da Fox News. “Tínhamos um acordo e eles o quebraram. São um grupo de pessoas ruins”, acrescentou sobre as autoridades iranianas.

Horas após a entrevista, o presidente disse que os EUA iriam cobrar 20% sobre o valor de toda carga transportada, mas ele retrocedeu da declaração nesta terça. Trump disse que vai substituir a cobrança do pedágio por acordos comerciais e que o investimento nos EUA será feito por vários países do Golfo.

Em junho, após o acordo assinado entre os dois países, Trump havia dito que não haveria cobrança de pedágio em Hormuz. Em entrevista ao “The New York Times” no dia 14 daquele mês, o republicano detalhou que o acordo firmado garantiria que a via marítima ficasse “permanentemente livre de pedágio”.

A Organização Marítima Internacional (OMI), da ONU, se opôs à taxação dos EUA. “Não existe base legal para a introdução de portagens obrigatórias simplesmente para transitar por um estreito”, disse hoje um porta-voz da organização.

Irã diz que não permitirá intervenção dos EUA

Declaração do presidente foi rebatida pelo comando militar do Irã. “O Irã não permitirá que os EUA intervenham na administração do Estreito de Hormuz. Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada”, diz comunicado, veiculado ontem.

Um assessor do líder supremo do Irã declarou que o canal tem “valor estratégico insubstituível” para o país. Mohammed Mokhber, um importante assessor de Mojtaba Khamenei, disse, em uma publicação nas redes sociais, que o Estreito de Hormuz “tem um valor estratégico insubstituível, além de importância para a segurança e a economia da nação iraniana”, ressaltando que a República Islâmica não recuará em sua exigência de ter controle sobre essa via navegável estratégica.

Nova onda de ataques

Questões em torno do canal marítimo são justamente o que o governo norte-americano alegou para realizar os novos ataques. O confronto começou após as forças iranianas dispararem contra um navio cargueiro do Chipre, que estaria navegando por uma rota não autorizada no Estreito de Hormuz. Uma segunda embarcação, acusada de desligar os sistemas de monitoramento, também foi atingida.

Os EUA, então, atacaram pelo menos 140 alvos em território iraniano, em reação às intercepções marítimas. Segundo o Comando Central, a ação destruiu bases de mísseis, drones, depósitos de munição e redes de comunicação.

Embarcações no Estreito de Hormuz, vistas de Musandam, Omã – Foto: Reuters

O Irã, por sua vez, atacou vizinhos do Golfo Pérsico em retaliação aos bombardeios. Jordânia, Bahrein, Qatar, Omã e Emirados Árabes Unidos foram alvos de mísseis e drones no fim de semana.

Países atacados condenaram as ações militares iranianas. O Qatar, por exemplo, declarou ter o direito de “responder” após uma série de mísseis lançados contra o território, que abriga um importante contingente militar dos EUA na base aérea de Al Udeid.

A escalada militar enfraquece o acordo de paz que vinha sendo desenhado. O memorando de entendimento entre EUA e Irã, assinado em 17 de junho, buscava colocar um fim definitivo à guerra na região.

*Com inforações de Uol