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Mais da metade dos diretores de escolas diz ter notado diminuição em casos de agressão física dentro das unidades de ensino após a implementação da lei que proíbe celulares na sala de aula.

Pesquisa divulgada hoje pelo MEC (Ministério da Educação) mostra que 55% dos gestores notou redução nos conflitos físicos. Também houve melhoria, como esperado, nas agressões digitais: 88% dizem que a medida contribuiu para a redução do cyberbullying.

“Se diminui aquilo [agressões físicas] naquele momento da escola é porque as coisas são muito imediatas”, explicou a secretária de Educação Básica, Katia Schweickardt. Ela exemplifica: “[O aluno] ficar passando [mensagem por celular] num grupinho rapidamente, aquele cara já recebia uma mensagem com raiva, já ia dar um soco no outro. Claro que fora da escola continua acontecendo, mas o tempo de resposta já diminuiu, eu já controlei. Então, a gente percebe que isso tá sendo bacana.”

Sancionada em junho do ano passado, a Lei nº 15.100 faz um ano nesta semana. Por incentivo do governo, ela veta o uso não didático do celular em sala de aula em escolas públicas e particulares do ensino básico para melhorar a concentração e convivência entre os estudantes.

“Eu acho que a principal conquista é a gente ter melhorado a socialização nas escolas”, diz Schweickardt. Segundo a pesquisa, 95% dos diretores afirmam que a restrição estimulou a socialização presencial entre os estudantes. Foram ouvidos gestores de 8.189 escolas particulares e públicas de todos os estados selecionadas por sorteio.

Mais de 90% das escolas do país adotaram a medida, segundo o MEC. “Diferentemente de outras leis que são natimortas, essa é uma lei viva, porque ela já está sendo internalizada. Isso é uma coisa bastante importante. Muita lei no Brasil não pega. Se ela pegou, é porque havia um ambiente na sociedade preocupado com esse uso nocivo”, afirmou a secretária.

A secretária diz ser mais difícil avaliar a medida de uma maneira mais direta. “O desempenho, resultado é sempre multicausal. Então, por mais que a gente tenha essa angústia para dizer ‘ele melhorou a nota por causa disso’, tem muita coisa, como o ambiente escolar [melhorar], a escola ser mais acolhedora, o professor bem formado, como ele come, a disciplina, tudo isso impacta na aprendizagem. Eu estou convencida —e aí sim as pesquisas dizem isso— de que [o veto] ajuda o ambiente escolar.”

Schweickardt fala em “reumanização do papel da escola”. “Indiretamente, a gente sabe que, se a escola é um lugar mais atrativo, ela tem um reflexo na aprendizagem. Para nós, educadores, é certo que a aprendizagem melhora na atividade colaborativa, na cooperação uns com os outros.”

A maioria dos gestores diz observar os efeitos positivos da medida. Segundo a pesquisa, 97% deles dizem perceber a contribuição da lei no aumento da participação dos alunos nas atividades pedagógicas.

71% dos entrevistados dizem não acreditar que a restrição limita o desenvolvimento de habilidades digitais. A medida restringe aparelhos pessoais, não os da escola e/ou autorizados pelos professores. A maioria dos gestores relata que houve ampliação das atividades pedagógicas com tecnologias após a implementação da lei.

*Com informações de Uol