A astronauta Christina Koch, da missão Artemis 2, durante coletiva de imprensa, em Houston (Texas) - Foto: Danielle Villasana / GETTY IMAGES NORTH AMERICA

Após retornar da Lua, Christina Koch acordou de suas primeiras noites na Terra com a sensação de ainda estar flutuando. A tripulação da Artemis 2 ainda se reacostuma à gravidade, uma semana após o fim de sua missão.

Apesar de vários contratempos, Christina considera a nave Orion segura e acredita que ela está em condições de retornar ao espaço.

Os quatro astronautas da missão — três americanos e um canadense —fizeram algumas revelações no Centro Espacial Johnson, localizado na cidade americana de Houston.

“Nos primeiros dias após o retorno, quando eu acordava, achava realmente que estava flutuando, e tinha que me convencer de que não”, descreveu Christina, que já havia participado, em 2019, de uma missão à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

“Algo que notei que foi diferente do meu primeiro voo espacial, que foi tão longo, foi que toda vez eu acordava [nos primeiros dias após a volta à Terra na missão Artemis 2], pensei que estava flutuando. Na minha primeira missão, quando fiquei 328 dias no espaço, nunca ocorreu de eu achar que algo fosse flutuar na minha frente na volta. Dessa vez, coloquei uma camiseta no ar e ela caiu” afirmou Christina Koch.

A tripulação ainda passa por exames médicos e não teve tempo para relaxar ou refletir, disse o comandante da missão, Reid Wiseman.

Preocupações na nave

Wiseman contou que houve um vazamento na pressão dos sistemas de combustível da nave, além dos contratempos com o banheiro e com um detector de fumaça que ligava e desligava no penúltimo dia da missão, o que preocupou os astronautas.

“Não foi assustador, mas foi tenso por alguns minutos, até conseguirmos reconfigurar as coisas. Mas o que martelamos em nossas cabeças antes do lançamento foi: nada de movimentos precipitados. Vamos avaliar esta máquina, ver o que a máquina e Houston estão nos dizendo, e então tomar uma decisão em conjunto”, descreveu o comandante.

Tripulação da missão Artemis 2, da esquerda para a direita: Victor Glover, Jeremy Hansen, Christina Koch e Reid Wiseman – Foto: Frank Michaux / Nasa

Wiseman elogiou o desenho da nave, que, embora “precise de melhorias, poderiam colocar a cápsula Orion da missão Artemis 3 na plataforma amanhã mesmo e lançá-la, e a tripulação estaria em excelentes condições”.

“Temos que estar dispostos a correr um pouco mais de risco do que estávamos dispostos no passado, e simplesmente acreditar que encontraremos a solução em tempo real”, acrescentou o canadense Jeremy Hansen.

Salto de um arranha-céu

O piloto Victor Glover descreveu a reentrada na atmosfera terrestre, onde o escudo térmico da nave os protegeu de temperaturas superiores a 2.700 °C enquanto eles viajavam a 40.000 km/h, como “13 minutos e 36 segundos muito intensos”.

Glover disse que se lembra de ter sentido um “efeito ioiô” no momento da abertura dos paraquedas. “Nunca saltei de paraquedas, mas, se você se jogasse de costas de um arranha-céu, essa foi a sensação durante cinco segundos. Depois, os paraquedas principais se abriram e foi magnífico.”

A Artemis 2 foi a primeira missão tripulada do programa Artemis, da Nasa, cujo objetivo é levar americanos novamente à Lua, dessa vez para estabelecer uma base e se preparar para futuras missões a Marte. Os tripulantes expressaram confiança na capacidade da agência espacial americana de alcançar esse objetivo nos próximos anos.

Os Estados Unidos trabalham para realizar um pouso lunar em 2028, antes do fim do mandato de Donald Trump. “Se tivessem nos dado as chaves do módulo de pouso, teríamos aterrissado na Lua. É absolutamente factível”, afirmou Wiseman.

*Com informações de Uol