Sergio Moro - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasi

O senador Sergio Moro afirmou que oferecerá seu palanque no Paraná à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa à Presidência. A fala se deu durante o evento de filiação de Moro ao Partido Liberal, em Brasília.

Moro oficializou sua entrada na sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele deixou o União Brasil diante da falta de apoio para sua candidatura ao governo do Paraná.

Durante o discurso, Moro criticou o governo do presidente Lula (PT). Ele afirmou que o petista foi eleito “entre aspas” e fez críticas ao resultado do pleito. Não há comprovação de fraude nas eleições, que têm mecanismos de auditoria.

O senador afirmou que o Paraná “não vai faltar” ao projeto nacional liderado por Flávio. Moro disse que está “se somando” à iniciativa e defendeu a candidatura do senador ao Planalto. “Vamos trabalhar para que Vossa Excelência tenha uma grande vitória no nosso estado”, disse Moro a Flávio.

A aliança reforça a reaproximação com o núcleo bolsonarista. Moro integrou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro como ministro da Justiça entre 2019 e 2020. Ele deixou o cargo após acusar Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal.

O evento também contou com a participação do ex-procurador Deltan Dallagnol e da deputada Rosangela Moro. Ela se filiou ao PL e Dallagnol, que era coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato quando Moro era juiz, vai compor a chapa pelo Novo.

No Paraná, o partido deve lançar Dallagnol e o deputado Filipe Barros (PL-PR) como candidatos ao Senado. A definição faz parte da estratégia de fortalecer a sigla no estado.

A filiação ocorreu em um auditório próximo ao Posto da Torre, em Brasília, local que marcou o início da Operação Lava Jato em 2014. À época, a Polícia Federal cumpriu no local os primeiros mandados da operação.

Flávio Bolsonaro – Foto: Reprodução / Youtube / Conversa Timeline

O senador citou irregularidades envolvendo aposentados e pensionistas do INSS e mencionou o caso do Banco Master. Ele associou os episódios ao atual governo. Investigações indicam, porém, que problemas nesse tipo de benefício começaram ainda na gestão Bolsonaro e se estenderam ao governo atual.

Moro tem concentrado esforços na viabilização da candidatura. Ontem, evitou comentar diretamente movimentos de adversários. A estratégia tem sido reduzir atritos neste momento.

O senador afirmou que está focado na disputa estadual. Moro já disse que vencer no primeiro turno é difícil. Ao mesmo tempo, indicou confiança ao citar desempenho em pesquisas.

Disputa no Paraná

Ontem, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), anunciou que não será mais pré-candidato à Presidência. Ele deve permanecer no cargo até o fim do mandato.

Ratinho Jr. afirmou que vai priorizar a sucessão estadual. O objetivo é eleger um aliado e conter o avanço de Moro. A disputa no estado tende a se acirrar.

A desistência surpreendeu aliados. O governador era visto como favorito no PSD. Ele integrava uma lista de três nomes cotados para o Planalto, que também inclui Ronaldo Caiado e Eduardo Leite.

Segundo interlocutores, a decisão foi influenciada pela filiação de Moro ao PL. Também pesaram pressões do entorno familiar.

PSD ainda não definiu um candidato. O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), disputa espaço internamente. O secretário estadual das Cidades, Guto Silva (PSD), é apontado como preferido do governador.

*Com informações de Uol