Central nuclear de Natanz, no Irã - Foto: Imagem de Satélite / Vantor

Os Estados Unidos e Israel atacaram hoje o principal complexo nuclear iraniano de Natanz, informou a organização de energia atômica da república islâmica.

Não foi registrado vazamento radioativo em central nuclear atingida por ataques, segundo a mídia iraniana. Essa não é a primeira vez o complexo nuclear é alvo de ataques. O local já havia sido atacada pelos EUA em junho do ano passado, durante a guerra de 12 dias entre Israel e o Irã.

EUA e Israel não se pronunciaram sobre o ataque até a última atualização desta reportagem. Caso confirmado o bombardeio será o primeiro a uma central nuclear desde o início da atual guerra, que teve início no dia 28 de fevereiro. A emissora pública Kan, citando fontes não especificadas, afirmou que os EUA usaram bombas “destruidoras de bunkers” para atingir o local.

Natanz fica na região central do Irã, na província de Isfahan, a cerca de 300 quilômetros ao sul de Teerã. No local, há universidades, centros de pesquisa, fábricas de armamentos e plantas de enriquecimento de urânio. “Após os ataques criminosos dos EUA e do regime sionista usurpador contra o nosso país, o complexo de enriquecimento de Natanz foi alvo de um ataque nesta manhã”, afirmou a organização de energia atômica do Irã em um comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim.

Israel alertou que aumentará consideravelmente os ataques contra o Irã. Hoje, o ministro da Defesa do país, Israel Katz, advertiu que a partir de domingo, “a intensidade dos bombardeios que serão realizados pelas forças israelenses e pelo exército americano contra o regime do terror iraniano e as infraestruturas em que ele se apoia aumentará consideravelmente”, disse.

Comunicado contrasta com as declarações, na véspera, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O republicado havia dito à imprensa que considerava “reduzir gradualmente” as operações contra o Irã.

Usina de Natanz

A usina de Natanz é considerada o “coração” do programa nuclear iraniano. Erguida na província de Isfahan, ao sul de Teerã, o complexo é dividido em duas partes: uma subterrânea, protegida de ataques aéreos, e outra acima do solo, que ficou seriamente danificada nos recentes bombardeios dos EUA e de Israel, em 2025.

Parte subterrânea abriga 16 mil centrífugas, pelo menos 13 mil em funcionamento. Não há detalhes precisos das dimensões da instalação, mas as estimativas é de que o local comporte até 50 mil máquinas. Nessa unidade, o urânio é enriquecido a 5% de pureza, grau considerado baixo para armas nucleares.

Um banner com fotos de Mojtaba Khamenei, ao lado de seu pai Ali Khamenei, em uma manifestação em Terã – Foto: Atta Kenare / AFP

A usina acima do solo tem maior poder de enriquecimento de urânio, mas opera com menos máquinas. A parte superior de Natanz trabalha com menos de mil centrífugas e consegue enriquecer o minério com grau de 60% de pureza.

Ao contrário de Fordow, Natanz já foi inspecionada por órgãos de segurança. A medida fez parte do Acordo Nuclear firmado pelo Irã em 2015, mas desde 2018, após a saída dos EUA do pacto, as inspeções na usina ficaram limitadas.

Relatório estima que o país possui 142 kg de urânio enriquecido a 60%. Para a ONU, o país tem conseguido avanços significativos em seu programa nuclear, o que elevou a preocupação internacional.

Israel afirma que o Irã possui urânio suficiente para produzir nove bombas nucleares. Oficialmente, Teerã nega que possua armas nucleares, mas como o regime não é transparente sobre seu poderio bélico, não se sabe a real dimensão da força de seu arsenal.

*Com informações de Uol