Guilherme Boulos foi entrevistado por Datena no programa de estreia do apresentador — Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil

José Luiz Datena estreou hoje como apresentador do programa “Alô Alô Brasil”, na Rádio Nacional, braço da estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação). O convidado do primeiro programa foi o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL).

Datena e Boulos comentaram sobre a cadeirada que o jornalista deu no coach Pablo Marçal durante debate eleitoral em 2024. “Você [Datena] fez uma coisa que eu gostaria de fazer: lavou a alma do povo brasileiro”, disse o atual ministro, que em 2024 disputou as eleições municipais, foi para o segundo turno e perdeu para o prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Datena disse que participar de debates nas últimas eleições em São Paulo foi “uma das piores coisas” da vida dele. “Quando eu vi o ministro entrando aqui, já me lembrei daquele debate. Foi uma das piores coisas da minha vida participar de debate. Achei que ia dar um nó nesses políticos (…), mas eu fui engolido pelos caras porque eu não sei falar a linguagem do político”, disse o apresentador na abertura do programa.

Dupla se referiu à cadeirada dada por Datena em Marçal em setembro de 2024, quando ambos concorriam à Prefeitura de São Paulo. Durante debate na TV Cultura, o coach mencionou um processo contra o apresentador por assédio a uma mulher. O jornalista acusou seu rival de difamação e disse que o caso teria provocado a morte de sua sogra. As provocações seguiram, até que Datena partiu para cima de Marçal e deu uma cadeirada nele. O agressor foi expulso do programa, e o agredido foi levado ao hospital.

Datena na emissora pública

Apresentador fechou um contrato de R$ 1.445.882,04 com a EBC para apresentar dois programas até 2027. O contrato prevê que a JLD Publicidade Ltda receba o valor citado até 6 de fevereiro de 2027. Detalhes do acordo foram publicados neste mês no Diário Oficial da União.

JLD tem Datena e a mulher como sócios. De acordo com dados da Receita Federal, a empresa foi criada em 1996 e tem sede em Barueri, na região metropolitana de São Paulo.

Datena cuidará de atrações na TV e no rádio. Pelo acordo, ele apresentará e chefiará a edição do programa “Na Mesa com Datena”, na TV Brasil, e apresentará o programa “Alô Alô, Brasil”, na Rádio Nacional.

Contrato prevê que só o apresentador poderá prestar os serviços. Além disso, está previsto que ele o faça a partir da cidade de São Paulo.

Datena agride Marçal durante debate na TV Cultura, em 2024 – Foto: Reprodução / TV Cultura

Manifestação justa de indígenas, diz Boulos

Na entrevista, também foram abordados assuntos gerais do governo, como a mobilização de indígenas contra um decreto do presidente Lula (PT). No último fim de semana, indígenas do Baixo Tapajós, no Pará, invadiram o terminal portuário da multinacional Cargill, em Santarém (PA). Eles protestaram contra uma norma que autoriza a privatização e concessão de trechos estratégicos dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira.

Boulos disse na entrevista que o governo vai “dar para os povos indígenas uma resposta adequada a partir da manifestação justa”. Associação de povos indígenas alega que a manifestação pacífica aconteceu após um mês de tentativa de diálogo com a presidência, a Casa Civil e o Ministério dos Transportes sobre os impactos do decreto nas comunidades tradicionais, mas não teve resposta.

“A minha defesa é que nós precisamos atender à reivindicação deles, que é justa e necessária. (…) Eu acho que tem possibilidade real disso acontecer [de o governo retroceder na promulgação do decreto].” afirmou Ministro Guilherme Boulos.

Governo tem três prioridades neste primeiro semestre, segundo Boulos. São elas: acabar com a escala 6×1, aprovar a PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública e garantir direitos a trabalhadores de aplicativo.

Boulos diz que só disputará eleição se for preciso

Sobre as eleições de outubro, o ministro disse que ocupará “a função que for necessária”. Ele ressaltou, porém, que não pretende se candidatar e que o governo já tem bons nomes para o Senado por São Paulo, como as ministras do Planejamento, Simone Tebet, e do Meio Ambiente, Marina Silva.

“Se for preciso como uma missão, eu não nego missão, mas eu acho que nós temos nomes para isso. (…) Se precisar, eu vou ocupar a função que for necessária para contribuir com a reeleição do Lula.” disse Boulos em entrevista a Datena.

*Com informações de Uol