Lula em coletiva de imprensa no Japão - Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na noite desta quarta-feira (26), que a nova sobretaxa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre carros importados pode prejudicar a própria economia americana.
“O que o presidente Trump precisa é medir as consequências dessas decisões. Se ele está pensando que tomando essa decisão de taxar tudo aquilo que os Estados Unidos importam [vai ajudar], eu acho que vai ser prejudicial aos Estados Unidos. Isso vai elevar o preço das coisas, e pode levar a uma inflação que ele ainda não está percebendo”, disse Lula durante uma entrevista de encerramento da visita de Estado ao Japão.
Embora o Brasil não seja diretamente afetado pela nova tarifa, a medida pode ter reflexos na economia local, já que a indústria automotiva opera em uma cadeia de suprimentos global.
“Os EUA importam muito carro japonês e tem muitas empresas japonesas produzindo carro lá. Eu, sinceramente, não vejo o benefício de aumentar em 25% os carros comprados do Japão. A única coisa que eu sei é que vai ficar mais caro para o povo americano comprar. E esse mais caro pode resultar no aumento da inflação, e esse aumento da inflação pode significar aumento de juros, e aumento de juros pode significar contenção da economia”, continuou.
Outras tarifas de Trump
O mandatário confirmou que seu governo vai tentar, junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), reverter a tarifa imposta pelos EUA de 25% sobre a importação de aço e alumínio.
“Da parte do Brasil, ele [Trump] taxou o aço brasileiro do Brasil em 25%. Temos duas decisões a fazer. Uma é recorrer na Organização Mundial do Comércio, e nós vamos recorrer. A outra é a gente sobretaxar os produtos americanos que nós importamos, colocar em prática a lei da reciprocidade”, disse o presidente.
Para Lula, a tarifação por parte do Brasil só será aplicada caso a queixa na OMC não culmine na negociação entre os países. Ele pontuou, ainda, que a relação comercial com os Estados Unidos é ligeiramente favorável aos norte-americanos.
“Estou muito preocupado com o comportamento do governo americano com essa taxação de todos os produtos, de todos os países. No fundo, o livre comércio é o que está sendo prejudicado. Estou preocupado porque o multilateralismo está sendo derrotado e estou preocupado porque o presidente americano não é xerife do mundo, ele é apenas presidente dos Estados Unidos”, disse.
Relações comerciais com o Japão
Outro ponto abordado por Lula na entrevista foi sobre as negociações com o Japão para agilizar a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira, uma demanda histórica do setor. Antes, o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, anunciou o envio de uma missão oficial para avançar nos protocolos de liberação sanitária.
“Temos que respeitar a decisão japonesa, cada país tem um critério. O que eu ouvi do primeiro-ministro é que ele vai, o mais rápido possível, mandar os especialistas dele para analisar o rebanho brasileiro. E, depois, vamos ver a decisão. O dado concreto é nós vendemos uma carne de muita qualidade e a carne mais barata entre todos os países. Eu acredito que, ainda este ano, a gente vai ter uma solução da questão da carne”, prevê Lula.
O presidente também se comprometeu a impulsionar, durante os próximos meses, o avanço de um acordo comercial entre os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) com o Japão.
“Eu vou assumir a presidência do Mercosul no segundo semestre. E, se depender de mim, nós vamos trabalhar para que haja o acordo do Mercosul com o Japão. É bom para os países do Mercosul e para o Japão. Quanto mais facilitação para a negociação, melhor.
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