Fernanda Torres e Wagner Moura em suas respectivas edições do Globo de Ouro - Foto: Getty Images
A revista Variety avalia que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial pode ameaçar a retomada do cinema brasileiro. Em reportagem sobre o Festival do Rio, a publicação relaciona o momento do setor às políticas públicas de incentivo e reúne críticas de profissionais do audiovisual ao candidato.
A reportagem relata manifestações de apoio a Lula durante o Festival do Rio. Profissionais ouvidos pela publicação defendem a continuidade dos investimentos e dos mecanismos de fomento ao audiovisual.
A Variety associa a retomada do setor às políticas culturais do governo Lula. Como exemplos da projeção internacional recente, cita o Oscar de melhor filme internacional conquistado por “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, em 2025, e os prêmios de melhor direção e melhor ator recebidos por “O Agente Secreto” na competição oficial de Cannes, no mesmo ano.
A publicação contrasta esse cenário com os cortes e as dificuldades de financiamento durante o governo Jair Bolsonaro. O texto aponta o enfraquecimento do apoio público ao cinema naquele período como um obstáculo ao desenvolvimento do setor.
Entre as medidas do governo Lula, a reportagem destaca o anúncio de R$ 1,6 bilhão para o audiovisual. O investimento foi anunciado em junho de 2024. A revista também menciona incentivos fiscais, subsídios e cotas de tela para ampliar a presença de produções brasileiras nos cinemas.
O diretor Marcelo Gomes afirmou que uma mudança de governo pode ameaçar as conquistas recentes do audiovisual. “É uma indústria reconhecida internacionalmente e que colheu vários prêmios importantes nos últimos anos. Uma eventual mudança para um governo que não valoriza a cultura pode colocar tudo isso em risco”, disse à Variety.
A revista apresenta uma vitória de Lula no segundo turno como a única chance de um futuro próspero para o setor. Essa é a avaliação da publicação, que relaciona o temor dos profissionais à possibilidade de retomada das políticas do governo Jair Bolsonaro.
A produtora Paula Cosenza classificou uma eventual volta ao poder do grupo que governou o país entre 2019 e 2022 como “uma catástrofe”. “O candidato de extrema direita questiona a legitimidade da criação artística, do conhecimento acadêmico, da ciência e do livre exercício da imprensa, tornando-se uma ameaça concreta à democracia”, afirmou à revista.
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