
A influenciadora Virginia, 26, afirmou que o uso de uma pomada íntima poderia ser detectado em um exame antidoping do parceiro e astro do futebol, Vini Jr. Afinal, é possível que uma substância presente em uma pomada íntima passe para outra pessoa durante o sexo e seja detectada em testes antidoping?
Como isso pode acontecer?
O mecanismo é biologicamente plausível, embora não seja automático nem comum. É o que diz a ginecologista Zsuzsanna Jarmy Di Bella, assessora da diretoria científica da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia).
O corpo humano tem vários tecidos capazes de absorver medicamentos, como a pele e as mucosas.
“A mucosa vaginal, por exemplo, tem vasos sanguíneos que podem absorver determinadas substâncias, dependendo do tamanho da molécula, do veículo e da finalidade do medicamento.” afirma Zsuzsanna Jarmy Di Bella.
O ponto sensível, no contexto esportivo, está no princípio ativo. “Existe uma substância presente em alguns cremes cicatrizantes, como o clostebol, que é um esteroide anabolizante androgênico sintético, derivado da testosterona, proibido pela Wada [agência mundial antidoping], mesmo tendo efeito pouco expressivo na formação de massa muscular”, afirma.
Nesses casos, a transferência pode ocorrer por contato íntimo. “O uso desse tipo de creme por uma parceria sexual pode levar à transferência da substância para a mucosa uretral e para a pele de um atleta profissional. Mesmo em quantidades muito pequenas, ela pode ser detectada em um exame antidoping”, diz.
Segundo ela, a maioria dos cremes e comprimidos vaginais é desenvolvida para ação local, com duração entre 24 e 72 horas, sendo usados principalmente como antifúngicos, antibacterianos, hormônios ou hidratantes vaginais.
Possível não é o mesmo que provável
Há uma distinção clara entre possibilidade teórica e risco real. O risco de detecção depende de fatores como quantidade aplicada, repetição do contato, tempo entre o uso do medicamento e a relação sexual e o tipo de base do produto. Na prática, tribunais esportivos já analisaram casos por contato e exposição indireta a substâncias.













