Bandeiras do Mercosul e da União Europeia - Foto: Reprodução / Camex
Os embaixadores dos países da União Europeia deram aval provisório, nesta sexta-feira (9), para a assinatura do maior acordo de livre comércio já negociado pelo bloco. O tratado envolve o Mercosul, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e encerra um processo iniciado há mais de 25 anos, marcado por impasses políticos e forte resistência interna. As informações são da Reuters.
Segundo diplomatas europeus, ao menos 15 dos 27 países-membros, que representam cerca de 65% da população da UE, votaram a favor do acordo, atingindo o quórum necessário para a aprovação preliminar. As capitais europeias ainda têm prazo para enviar a confirmação formal dos votos por escrito.
A Comissão Europeia, que concluiu as negociações técnicas há um ano, defende o pacto como estratégico para ampliar mercados e compensar perdas comerciais provocadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos. Outro objetivo central é reduzir a dependência da China, garantindo acesso a matérias-primas consideradas críticas para a indústria europeia.
Apesar do avanço, o acordo enfrenta forte oposição, liderada pela França, maior produtora agrícola da União Europeia. O governo francês argumenta que o tratado pode aumentar a entrada de alimentos mais baratos, como carne bovina, aves e açúcar, prejudicando agricultores locais.
Nos últimos dias, produtores rurais realizaram protestos em vários países, com bloqueios de rodovias na França e na Bélgica e manifestações na Polônia.
Com a aprovação provisória, o caminho fica aberto para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o acordo com os países do Mercosul, possivelmente já na próxima semana. Para entrar em vigor, no entanto, o texto ainda precisará passar pelo crivo do Parlamento Europeu.
O tratado prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, tornando-se o maior acordo do bloco em termos de redução tarifária. Atualmente, países do Mercosul aplicam impostos elevados sobre produtos europeus, como 35% para autopeças, 28% para laticínios e 27% para vinhos.
Em 2024, o comércio de bens entre os dois blocos somou aproximadamente 111 bilhões de euros, dividido de forma equilibrada. As exportações europeias são dominadas por máquinas, produtos químicos e equipamentos de transporte, enquanto o Mercosul vende principalmente produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.
Para tentar convencer países mais céticos, a Comissão Europeia incluiu salvaguardas que permitem suspender importações de itens agrícolas sensíveis. Também reforçou controles sobre resíduos de pesticidas, criou um fundo de crise, acelerou programas de apoio aos agricultores e prometeu reduzir tarifas sobre fertilizantes.
Mesmo assim, França e Polônia mantiveram posição contrária. A Itália, por outro lado, mudou de voto e passou a apoiar o acordo nesta sexta-feira, após ter se posicionado contra em dezembro, segundo um diplomata europeu.
A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que a disputa ainda não terminou e prometeu lutar para barrar o tratado no Parlamento Europeu, onde a votação pode ser apertada. Organizações ambientais também criticam o acordo. A entidade Friends of the Earth classificou o pacto como prejudicial ao clima.
Já o alemão Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, demonstrou confiança na aprovação final. A expectativa é que a votação ocorra entre abril e maio.
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