Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula (PT) pediu ontem ao governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, que trabalhe “para prender os ladrões que governaram o estado”, em evento na capital fluminense.

Presidente do TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio), Couto está no cargo de forma interina há dois meses. Ele assumiu o governo do Rio após a renúncia de Cláudio Castro (PL), criticado por Lula na cerimônia que inaugurou um centro de desenvolvimento tecnológico da Fiocruz na capital fluminense.

Por não ter sido eleito, Lula disse que a população não cobrará obras dele, e sim uma gestão que combata a corrupção. “Sabe o que essas pessoas esperam de você nesses meses? Trabalho para prender todos os ladrões que governaram esse estado e deputados que fazem parte de uma milícia organizada”, afirmou o presidente.

Couto tem promovido um “choque de gestão” no comando do estado. Da posse até a última quarta (20), 3.171 exonerações em 69 órgãos foram publicadas no Diário Oficial. Todas as 33 secretarias que hoje integram a estrutura administrativa do governo fluminense foram impactadas. Além delas, 36 dos 161 órgãos submetidos a secretarias registraram dispensa de servidores.

Cortes atingiram postos importantes. Foram contabilizadas quase 300 exonerações em cargos de coordenação, direção e gerência de quase 30 entes diferentes, entre secretarias e outros órgãos. O Governo do Estado do Rio conta hoje com aproximadamente 280 mil servidores ativos, de acordo com dados oficiais.

Lula elogiou a postura do governador interino. “Você percebeu os aplausos que você recebeu?”, perguntou Lula a Couto, que confirmou com a cabeça. “Eu tenho certeza que o outro governador não seria aplaudido”, completou, entre aplausos ao interino e vaias na referência a Castro.

Couto assumiu em meio a escândalos de corrupção. Castro renunciou em março para fugir de um processo de cassação pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e o presidente eleito da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi afastado do cargo. O ex-vice-governador Thiago Pampolha já havia sido designado para o Tribunal de Contas do Estado em maio de 2025.

Sem citar nomes, Lula também criticou deputado estadual Douglas Ruas (PL), pré-candidato bolsonarista ao governo do estado. “Eu falei: ‘Se a Assembleia [Legislativa] indicar [o governador], vai vir o mesmo, ia vir um miliciano pra ser governador’. Então, deixa eu lhe falar uma coisa: aproveite. Aproveite esses seis meses que você tem, ou dez meses. Faça o que muita gente não fez em dez anos nesse Estado, ajude a consertar esse estado.”

“Não é possível esse estado poderoso, bonito, ser governado por miliciano. O povo do Rio não merece isso”, completou Lula. No Rio, o presidente apoia o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), favorito com folga nas pesquisas.

*Com informações de Uol