Em meio à busca por alimentos frescos, naturais e com identidade própria, o varejo especializado de Manaus tem ampliado o investimento em produtos desenvolvidos dentro das próprias cozinhas. Da padaria à confeitaria, passando por linhas funcionais, a produção interna vem se consolidando como estratégia para atrair consumidores interessados em qualidade, praticidade e diferenciação.
No Pátio Gourmet, esse movimento aparece em diferentes frentes, mas especialmente na panificação e confeitaria, coordenadas pelo chef Lucas Pyetro, e nos produtos funcionais desenvolvidos pela chef Juliana Faingluz, à frente do restaurante Marimari. O restaurante funciona ao lado da unidade do Pátio Gourmet da avenida Via Láctea, no conjunto Morada do Sol.
Lucas Pyetro defende que produzir dentro da empresa vai além de um processo operacional. “A produção própria tem o toque criativo do chef, que desenvolve o produto do zero. É o coração, onde tudo começa”, afirma. Segundo ele, a diferença em relação ao varejo tradicional está na autoria e no planejamento. “É onde a cabeça do chef começa a pensar em cada data sazonal e em um produto 100% artesanal”, diz. Ele destaca que praticamente toda a linha de panificação e confeitaria passa por sua coordenação direta. “Todos os bolos, tortas, sobremesas e pães são desenvolvidos internamente”, pontua.
A criação dos produtos, segundo Lucas Pyetro, começa meses antes de chegar às vitrines. Ele cita o planejamento da Páscoa como exemplo. “A gente começa a pensar na próxima Páscoa logo depois que a atual termina”, explica. O processo envolve pesquisa, participação em feiras nacionais, acompanhamento de tendências internacionais e troca de experiências com outros profissionais da área.
Para o chef, o diferencial do artesanal está principalmente na matéria-prima. “Quando a gente fala de industrializado, são produtos cheios de conservantes e aditivos químicos”, diz. “Já os nossos são desenvolvidos a partir de bases naturais, com frutas de verdade, sem aroma artificial”, compara.
Na chocolateria, ele reforça a escolha por insumos mais nobres. “Só é utilizado chocolate nobre”, afirma, destacando que boa parte do mercado ainda usa gordura hidrogenada e fracionada.
A produção interna também envolve controle rigoroso. De acordo com Lucas Pyetro, o grupo conta com nutricionistas, veterinários e equipes de fiscalização. “Temos rotinas semanais de higiene, controle de validade e rastreabilidade por lote”, enumera. “De cada produto feito, uma amostra é separada para controle de qualidade”.
Ingredientes amazônicos e crescimento de vendas
Ingredientes regionais também fazem parte da criação. “A preocupação é valorizar produtos locais, sem dúvida”, afirma o chef, citando o uso de cumaru, cupuaçu, ervas e sementes amazônicas. Ao mesmo tempo, ele pondera que o uso do regional precisa dialogar com o perfil do consumidor.














