O Polo Industrial de Manaus (PIM) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com faturamento de R$ 58,26 bilhões, um crescimento de 2,24% comparado a 2025 (Foto: Linha de produção da Wasion América / Suframa)

A economia brasileira ganhou ritmo e cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o último trimestre de 2025, mostram dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Inferior ao resultado do mesmo período do ano passado (1,3%), o avanço trimestral foi estimulado pelo desempenho positivo da agropecuária (2%) e da indústria (1%).

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB (Produto Interno Bruto), soma de bens e serviços finais produzidos no país, expandiu 1,8%. Apesar de positiva, a variação corresponde ao menor avanço anual para o intervalo entre janeiro e março desde 2022 (1,5%).

Como foi o PIB

A alta do PIB ganha fôlego na comparação trimestral. A constatação surge diante do leve avanço 1,1% do PIB em relação ao último trimestre de 2025, quando o crescimento nulo apurado ante os três meses anteriores foi de 0,3%. Para a divulgação de hoje, as expectativas apontavam para o crescimento de 1% da economia na base de comparação.

A economia brasileira cresceu 1,8% na comparação anual. O avanço do primeiro trimestre representa uma estabilidade no desempenho do PIB após a alta similar à apurada nos dois trimestres anteriores. A expectativa do mercado financeiro apontava para uma alta de exatamente 1,8% da economia na comparação com o mesmo período de 2025.

O PIB nacional avançou pelo 21º trimestre consecutivo e a alta anual da economia entre janeiro e março manteve a trajetória dos últimos anos. Na base de comparação com o mesmo intervalo do ano anterior, a última queda foi apurada no quarto trimestre de 2020 (-0,3%). Na ocasião, a atividade econômica sofria com os efeitos da pandemia de covid-19 decretada no início decretada daquele ano.

Em valores correntes, o Brasil produziu R$ 3,3 trilhões. A geração registrada no período entre janeiro de março deste ano é dividida em R$ 2,8 trilhões referentes ao VA (Valor Adicionado) a preços básicos e R$ 461,2 bilhões aos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.

Setores crescem

Grandes ramos de atividade cresceram no primeiro trimestre. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB avançou com crescimento na agropecuária (0,7%), na indústria (1,6%) e nos serviços (2,1%). Já na análise com os últimos três meses de 2025, os crescimentos foram de, respectivamente, 2%, 1% e 0,5%.

Segundo o coordenador do indicador, Ricardo Montes de Moraes, “o crescimento do PIB, na série com ajuste sazonal, ficou próximo ao da indústria, com os serviços puxando o crescimento médio para baixo e a agropecuária para cima. Não se pode somar resultados com ajuste sazonal, mas, em linhas gerais, foi esse o perfil do crescimento por grupo de atividades no trimestre”.

O setor de Serviços mantém peso de aproximadamente 70% do PIB nacional e na comparação com o quarto trimestre do ano passado, houve crescimento em Informação e comunicação (2,4%), atividades imobiliárias (1,2%), comércio (0,6%) e administração, defesa, saúde e educação pública e seguridade social (0,4%).

Extração mineral impulsiona indústria

O setor que representa aproximadamente 23% do PIB também contou com o desempenho positivo da construção (2%) ante o último trimestre de 2025. Na mesma comparação, a indústria de transformação permaneceu estável (0,1%). Por outro lado, houve queda na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,3%).

As despesas de consumo das famílias e do governo aumentaram. Os avanços em relação ao mesmo intervalo do ano passado somaram 1% e 0,4%, respectivamente. No setor externo, as exportações de bens e serviços tiveram variação negativa de 1,7%, enquanto as importações cresceram 4,4% em relação ao quarto trimestre de 2025.

O que é o PIB

O Produto Interno Bruto equivale à soma dos bens e serviços finais produzidos em determinada economia. Divulgado no Brasil pelo IBGE a cada três meses, o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais é calculado a partir de uma fórmula que considera o consumo das famílias, os gastos do governo, os investimentos e as exportações líquidas.

O estudo que mede o desempenho da economia nacional foi iniciado em 1988, mas sofreu alterações. A primeira reestruturação ocorreu em 1998, quando os seus resultados foram integrados ao Sistema de Contas Nacionais, de periodicidade anual. Em 2015, uma nova mudança metodológica estabeleceu o ano de 2010 como referência para os cálculos.

O IBGE calcula duas séries de números-índices para analisar o desempenho do PIB a cada trimestre. Uma das modalidades tem base no ano anterior à divulgação. Já a outra, chamada de “encadeada”, tem o ano de 2010 como referência, sendo ajustada sazonalmente de forma que permita o cálculo das taxas de variação em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Com informações do Uol