O que é o Perse, programa de benefício federal usufruído por Virginia e outros famosos?
Quando a Receita Federal divulgou, neste mês, a lista de empresas beneficiadas pelo Perse, chamou atenção as cifras milionárias destinadas a negócios com influenciadores e famosos como sócios. Um dos nomes que mais se destacaram foi o da influenciadora Virginia Fonseca, que teve mais de R$ 4,5 milhões em isenção fiscal com a empresa Virginia Influenciadora LTDA.
Mas, afinal, o que é o Perse e por que famosos têm direito a essas isenções de impostos?
O que é Perse?
A sigla refere-se a Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos e foi criado em 2021, através da Lei 14.148, ainda durante a pandemia de Covid-19, pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A intenção do programa era socorrer empresas do setor de eventos, um dos mais afetados pelas medidas de isolamento social da pandemia, oferecendo isenção nos quatro tributos de arrecadação federal. São eles: PIS, Cofins, IRPJ e CSLL.
Existe limite de faturamento para se inscrever no Perse?
Não existe um valor máximo de faturamento para que uma empresa possa ou não se inscrever no Perse. Como explica o advogado tributarista Thulio Carvalho, empresas do Simples Nacional –regime compartilhado de arrecadação, cobrança e fiscalização de tributos aplicável às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte– não integram o Perse. Ou seja, é preciso ter um faturamento mínimo para fazer parte do programa.
Quando o Perse deixará de existir?
O texto original do Perse prevê que o benefício se mantenha por 60 meses, ou seja, 5 anos, a partir do momento de validade da Lei.
Para o também advogado tributarista André Félix Ricotta, presidente da Comissão de Direito Tributário da OAB-SP, o encerramento do Perse fora da data prevista causaria insegurança jurídica.
“O governo pode tentar editar uma lei tentando acabar com o programa, mas vai ser questionado na Justiça, perante o Poder Judiciário, como já foi questionado essas alterações que foram realizadas pela medida provisória de 2023”, afirma.

A referida Medida Provisória propunha retomar, de forma gradativa, a partir de abril deste ano, a tributação das empresas listadas no Perse. O texto, porém, foi barrado no Congresso Nacional, tendo ficado estabelecida a prorrogação do Perse até dezembro de 2026.
A MP saiu exitosa em um sentido. Através dela, foi acrescentado o seguinte trecho à Lei:
“O benefício fiscal estabelecido no art. 4º terá o seu custo fiscal de gasto tributário fixado, nos meses de abril de 2024 a dezembro de 2026, no valor máximo de R$ 15.000.000.000,00 (quinze bilhões de reais), o qual será demonstrado pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil em relatórios bimestrais de acompanhamento, contendo exclusivamente os valores da redução dos tributos das pessoas jurídicas de que trata o art. 4º que foram consideradas habilitadas na forma do art. 4º-B desta Lei, com desagregação dos valores por item da CNAE e por forma de apuração da base de cálculo do IRPJ, sendo discriminados no relatório os valores de redução de tributos que sejam objeto de discussão judicial não transitada em julgado, ficando o benefício fiscal extinto a partir do mês subsequente àquele em que for demonstrado pelo Poder Executivo em audiência pública do Congresso Nacional que o custo fiscal acumulado atingiu o limite fixado.”
O artigo 4º trata da redução a 0% da alíquota de impostos federais para atividades do setor de eventos, turismo e cultura.
Segundo dados da Receita Federal, nos primeiros oito meses de 2024 já foram concedidos R$ 9,6 bilhões em benefícios fiscais através do Perse. Ou seja, nesse ritmo é provável que os R$ 15 bilhões sejam atingidos antes da data limite.
Para o advogado tributarista Thulio Carvalho, o governo deve focar nesse limite de R$ 15 bilhões quando for defender o fim do Perse. O benefício tem sido um dos alvos de crítica por parte do governo federal, em um momento em que se vê pressionado para anunciar medidas de contenção de gastos.
*Com informações de Terra
William Alemão cobra explicações sobre execução de emendas parlamentares

O vereador William Alemão (Cidadania) fez duras críticas à falta de efetivação das emendas de bancada durante a votação do Requerimento n° 16.328/2024, de autoria do vereador Rodrigo Guedes (Progressistas), no plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM). O referido documento solicita à Secretaria de Finanças e Tecnologia da Informação (Semef), esclarecimentos detalhados sobre os desembolsos financeiros e o andamento das execuções das emendas impositivas dos vereadores de Manaus, bem como as emendas de bancada, destinadas na atual legislatura.
Em seu pronunciamento, Alemão chamou a atenção para o fato de que durante o período eleitoral, o vice-líder do prefeito David Almeida (Avante), na Câmara Municipal, vereador Raulzinho (MDB), afirmou que os vereadores possuem a ferramenta das emendas parlamentares para auxiliar o Executivo Municipal, na execução de ações e serviços públicos, em vez de continuarem pedindo requerimentos à Secretaria. O vereador ressaltou que essa afirmação parece ignorar a realidade enfrentada por muitos parlamentares, que não veem suas
“Eu vi vereador, da base do prefeito, postar nas suas redes sociais que a sua bancada tinha destinado mais de 4 milhões e meio, às secretarias. E aí eu pergunto: o que o Cidadania tem de diferente para que a emenda de bancada não seja paga, não seja efetivada?”, questionou Alemão.
Para ele, a falta de execução das emendas pode ser um caso de “perseguição política”. Conforme William, outros parlamentares de diferentes bancadas enfrentam a mesma dificuldade, com emendas sendo encaminhadas diretamente para as secretarias e não sendo implementadas.
“Eu destinei emenda à Semtepi (Secretaria Municipal Do Trabalho, Empreendedorismo e Inovação), mas não posso dizer isso publicamente, pois a emenda não foi executada”, comentou.
Na ocasião, o líder do Cidadania na Casa Legislativa, destacou que, durante audiência pública de sua propositura, realizada na última segunda-feira, 25, sobre cultura, a representante de uma Organização da Sociedade Civil (OSC), localizada no bairro Nova Cidade, zona norte, aproveitou a oportunidade para relatar que das três emendas parlamentares destinadas à entidade, apenas uma foi paga. As demais aguardam liberação.
Apesar das argumentações, o Requerimento n° 16.328/2024, foi derrubado por um placar de 10 votos a favor e 18 contrários.
Descaso
Esta não foi a primeira vez que o vereador William Alemão cobrou na CMM, o pagamento de emendas. No último dia 19, durante um aparte ao pronunciamento do vereador Rodrigo Guedes, sobre o tema, Alemão denunciou a morosidade e, segundo ele, a perseguição política na execução de emendas parlamentares pela Prefeitura de Manaus. Na ocasião, ele expressou preocupação com o impacto negativo dessa situação em projetos sociais essenciais para a população, especialmente os voltados para crianças autistas e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
CIEAM e FAS firmam Aliança Empresas Amigas da Amazônia pelo desenvolvimento sustentável da região
O Centro da Indústria do Comércio do Estado do Amazonas (CIEAM) e a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) assinaram um termo de parceria, com duração de três anos, para criação da Aliança Empresas Amigas da Amazônia, com ações em conjunto para redução do desmatamento e promoção da melhoria da qualidade de vida das comunidades, e aldeias da região.
O ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Luiz Fernando Furlan, que também é presidente do Conselho Administrativo da FAS, participou da ação.
O termo foi assinado pelo presidente do Conselho Superior do CIEAM, Luiz Augusto Rocha, e o superintendente geral da FAS, Virgilio Viana, na sede da instituição. Já o presidente executivo do CIEAM, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, e o superintendente de Desenvolvimento Institucional da FAS, Victor Salviati, assinaram como testemunhas.
Historicamente, a FAS tem parceria com empresas situadas no Polo Industrial de Manaus (PIM), que tem o entendimento de que a conservação do bioma é um papel de todos e que é importante atuar também em favor dos povos que cuidam da floresta. A Aliança vem para fortalecer ainda mais essas parcerias e abraçar novas empresas.
“O CIEAM já faz um trabalho de sustentabilidade e pretendemos impulsionar dentro da perspectiva da nossa Comissão de ESG. Temos uma conselheira responsável por essa interação e eu tenho certeza que ela fará com muito amor, e com ótimos resultados para o interesse da indústria do estado do Amazonas”, salienta o presidente do Conselho do CIEAM.
A Aliança Empresas Amigas da Amazônia visa a colaboração mútua na divulgação das missões institucionais de cada parte, por meio de diálogos e eventos sobre bioeconomia, e sustentabilidade para promoção de um ambiente de negócios propício para o desenvolvimento sustentável no Brasil.
De acordo com Virgilio Viana, a parceria vai possibilitar o engajamento entre empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) nas agendas de conservação da floresta e incentivo à prosperidade de comunidades, e aldeias da Amazônia profunda.
“Então, é muito importante esse compromisso com pessoas que defendem o verdadeiro significado de que a Amazônia vale muito mais em pé do que derrubada. Espero que esse seja o primeiro passo para muitos feitos que estão por vir”, afirmou Virgilio.
Recentemente, ambas as instituições promoveram uma imersão na comunidade indígena Três Unidos, do povo Kambeba, localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, a uma hora e meia de barco, saindo de Manaus.
A visita reuniu jornalistas de vários veículos do país, que conheceram projetos da FAS na comunidade, entre eles, ações que só foram possíveis por meio da parceria de empresas que estão localizadas no PIM.
Segundo o presidente do Conselho Administrativo da FAS, Luiz Furlan, essa parceria é muito importante para consolidar uma imagem do PIM como patrimônio de grande relevância para o Amazonas e o Brasil.
Sobre o CIEAM
Constituído há 45 anos, o CIEAM é uma entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos, ligada ao setor industrial, que tem por objetivo atuar técnica e politicamente em defesa de seus associados e dos princípios da economia baseada na livre iniciativa.
Sobre a FAS
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade. Com 16 anos de atuação, a instituição tem números de destaque, como o aumento de 202% na renda média de milhares famílias beneficiadas e a queda de 39% no desmatamento em áreas atendidas
PL de Roberto Cidade reconhece importância do Festival Jungle Matsuri para o turismo local
Festival que exalta a cultura japonesa, o Jungle Matsuri deve ser reconhecido por meio da propositura de autoria do deputado estadual Roberto Cidade (UB), presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), como de interesse turístico e cultural do Estado do Amazonas.
A propositura, apresentada por meio do Projeto de Lei nº 764/2024, visa reconhecer os esforços da Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental (Nippaku) em garantir os meios para a realização, anual, de uma celebração viva da herança cultural nipo-brasileira.
“Esse evento também coloca Manaus em evidência no cenário nacional, destacando a capital não apenas como porta de entrada para a Amazônia, mas como um centro de eventos multiculturais. Esse tipo de iniciativa é fundamental para estimular o turismo cultural, impulsionando a economia local e gerando oportunidades para comerciantes, artistas e produtores locais”, destacou o presidente Roberto Cidade.
De acordo com o PL, o reconhecimento do Festival Jungle Matsuri como de relevante interesse turístico e cultural do Estado do Amazonas fundamenta-se em sua expressiva contribuição para a valorização da diversidade cultural, fortalecimento das tradições japonesas e promoção do turismo local e regional, tendo em vista que o referido festival é considerado o maior da região.
Festival Jungle Matsuri
O Festival Jungle Matsuri foi criado em 2019 pela Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental (Nippaku), para comemorar os 90 anos da imigração japonesa na região.
O festival é uma celebração da cultura japonesa na Amazônia e oferece uma programação diversificada.
A palavra “Matsuri” significa “festival” em português, e reúne manifestações artísticas de dança, música e teatro. O festival tem como atrações apresentações musicais com cantores da comunidade nipo-brasileira, danças típicas, desfile cosplay, exposições culturais, workshops, feiras de produtos e serviços e praça de alimentação com culinária japonesa.
Eliezer desabafa sobre internação do filho recém-nascido por doença ‘rara e grave’
Eliezer usou suas redes sociais para se pronunciar sobre o estado de saúde de Ravi, seu filho recém-nascido, que tem menos de um mês de vida. O bebê, filho de Viih Tube, precisou ser internado na última quarta-feira (27) e passou por uma cirurgia.
No vídeo, ele explicou que Ravi foi diagnosticado com uma doença rara e grave, mas que, apesar da gravidade, está reagindo bem.
O caso dele tem sido extremamente desafiador para nós e também para os médicos. É uma condição rara e grave para um bebê que não é prematuro. Nem consigo explicar direito, estamos aprendendo a cada dia, mas o mais importante é que ele está bem. Isso é até surpreendente para os médicos, porque bebês com a mesma condição dele costumam ficar muito piores”, contou Eliezer.
Ele também fez um apelo para que os internautas, sem conhecer todos os detalhes da situação, não atacassem Viih Tube pela doença do filho.
“Peço que tenham empatia. Sou um pai destruído vendo minha mulher também devastada, meu filho com cateteres passando pelo coração. Por favor, não estou pedindo que gostem de nós, só que parem de julgar. Já está sendo difícil demais lidar com tudo isso”, disse ele, visivelmente emocionado.
Eliezer fez questão de esclarecer que a condição de Ravi não tem relação alguma com o parto de Viih Tube.
“Não tem nada a ver com o parto, então parem de culpar minha mulher. Ela não merece isso, não tenho nem palavras para expressar a maldade que estão fazendo com ela”, afirmou.
Ele também compartilhou os desafios que a família enfrentou nas últimas duas semanas: “Em 15 dias, passei por um cateterismo e fui para a UTI, a Viih teve complicações no parto e também foi para a UTI, e agora nosso filho, com apenas 15 dias, está na UTI”, relatou.
*Com informações de IG
Derretimento de geleiras nos Andes contamina e torna vermelha a água de rios

Dionisia Moreno, uma agricultora indígena de 70 anos, ainda se lembra de quando o rio Shallap, a quase 4.000 metros de altitude na Cordilheira Branca, trazia água cristalina repleta de trutas para sua aldeia, Jancu. “Pessoas e animais podiam beber a água sem sofrer”, diz Moreno. “Agora a água está vermelha. Ninguém pode bebê-la”.
À primeira vista, o rio parece uma vítima da poluição da mineração; o Peru é um grande produtor de cobre, prata e ouro, e as águas próximas a minas abandonadas frequentemente correm em tons de ferrugem. Mas a culpada é a mudança climática. A Cordilheira Branca abriga a maior concentração de geleiras tropicais do mundo, que são particularmente sensíveis ao aumento das temperaturas e uma importante fonte de água doce no Peru.
Por milhares de anos, as geleiras eram reabastecidas com gelo no inverno. Mas elas encolheram mais de 40% desde 1968, revelando rochas que, quando expostas aos elementos, podem desencadear reações químicas que lixiviam metais tóxicos na água e a tornam ácida.
O processo, conhecido como drenagem ácida de rochas, cria uma reação em cascata que polui as fontes de água, explica Raúl Loayza, biólogo da Universidade Cayetano Heredia que estuda a qualidade da água nos Andes. “É um grande problema e está piorando”, afirma.
O degelo acima do lago Shallap, nas nascentes do rio Shallap, expôs mais de 150 hectares da Formação Chicama, rica em pirita, um sulfeto de ferro. À medida que a água do degelo escorre pelas rochas, a pirita se transforma em hidróxido de ferro e ácido sulfúrico, um químico corrosivo que libera metais pesados da rocha na água do degelo, afirma Loayza.
A água pura tem um pH neutro de 7; o lago Shallap agora tem um pH inferior a 4, quase tão ácido quanto o vinagre. Também contém chumbo, manganês, ferro e zinco em níveis que ultrapassam os padrões de qualidade ambiental, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisa de Geleiras e Ecossistemas de Montanha do Peru, ou Inaigem.
As autoridades de saúde declararam o rio Shallap e vários outros riachos acidificados como impróprios para consumo humano. Mas a maioria das aldeias continua a usá-lo para as lavouras, mesmo que não atenda aos padrões de qualidade da água para a agricultura. Os agricultores dizem que usar essa água na irrigação pode fazer com que algumas plantas murchem.
A drenagem ácida de rochas pode degradar ecossistemas e corroer infraestruturas. Juan Celestino, 75, marido de Moreno, disse que quando as trutas desapareceram pela primeira vez do rio Shallap, os moradores pensaram o rio tinha sido contaminado por algum agente poluidor externo. “Não pensamos que era o próprio rio”, diz ele. “O que podemos fazer? Quem pode nos ajudar?”

Para identificar pontos críticos, Loayza e outros cientistas usaram imagens de satélite para analisar o espectro da luz solar refletida pelos lagos glaciais. Seu modelo identificou 60 lagos na Cordilheira Branca que são altamente ácidos.
O Inaigem confirmou a drenagem ácida de rochas em cinco dos oito desfiladeiros glaciais que testou até agora. “Há áreas que sabemos que estão muito afetadas e outras onde o processo está apenas começando”, afirma Yeidy Montano, cientista do instituto.
As águas de degelo são mais acidificadas e mais carregadas de metais pesados em áreas de maior altitude dos Andes, onde as geleiras estão derretendo. Aldeias indígenas nessas regiões são as mais vulneráveis e, sendo pequenas, tendem a não ter influência com as autoridades que poderiam ajudar a garantir acesso a alternativas mais limpas.
“Esses lugares na Cordilheira Branca são uma bomba-relógio para as pessoas das terras altas, para seu modo de vida, para os ecossistemas”, ressalta Loayza.
Com a ajuda de uma ONG local, a aldeia de Canrey Chico, que fica no rio Negro, outro que agora tem cor de ferrugem, construiu um sistema de lagoas e canais plantados com juncos nativos para aumentar os níveis de pH e reduzir os metais pesados na água. Mas o governo provincial abandonou um esforço para expandir o programa.
Vicente Salvador, o agricultor que havia promovido o programa, morreu de câncer no estômago em 2021. “Sua principal fonte de água para consumo próprio era o rio”, conta seu filho, Joel. “Não temos acesso a água das nascentes”.
As nascentes há muito são vistas como fontes de água mais limpas do que os rios nos Andes, mas algumas estão secando e outras passaram a conter metais pesados. “Suspeitamos que a água subterrânea também será afetada a longo prazo pela drenagem ácida de rochas”, diz Francisco Medina, diretor de pesquisa do Inaigem.
Sixto León, 59, um agricultor da aldeia Cacapaqui, relata que no ano passado a água da nascente que sua família consumia começou a ter um gosto azedo. “Muitos de nós temos tido dores de estômago”, conta.
No início, o derretimento das geleiras trouxe uma abundância de água. Mas pesquisas mostraram que as bacias hidrográficas na Cordilheira Branca já passaram do seu pico, o que significa que menos água está correndo agora na estação seca.
A qualidade da água que resta está cada vez mais ameaçada pela drenagem ácida de rochas. Nos últimos anos, a lixiviação foi detectada nas rochas acima do lago Palcacocha, as nascentes da bacia hidrográfica que fornece água potável para Huaraz, a capital regional. O lago manteve um pH alcalino de cerca de 7,5, mas os cientistas dizem que provavelmente se tornará ácido à medida que as geleiras acima dele continuarem recuando.
As outras duas bacias hidrográficas que fluem para a cidade já estão se tornando ácidas. A EPS Chavin, a empresa que fornece água para Huaraz, parou de captar água de uma delas em 2006, após a detecção de manganês, um metal que pode ser tóxico. Mas com a escassez hídrica, a empresa planeja construir uma estação de tratamento de US$ 10 milhões para processar águas acidificadas com metais pesados.
“É mais complicado de tratar e mais caro”, afirma María Marchena, gerente da empresa. “Mas a situação é muito crítica e se tornará ainda mais.”
Até 2030, o Inaigem prevê que as geleiras na Cordilheira Branca abaixo de 5.000 metros terão desaparecido. “Isso vai deixar uma grande superfície de minerais exposta”, diz Montano.
*Com informações de Folha de São Paulo
Quais são os cinemas mais antigos do Brasil, que lutam contra a decadência urbana
Foi uma exibição de “Ainda Estou Aqui”, com a presença do diretor Walter Salles, que reabriu o histórico cinema São Luiz, no Recife, neste mês. A interpretação de Fernanda Torres como Eunice Paiva foi emoldurada pelos luxuosos vitrais dourados de 1952, ano em que a sala foi inaugurada.
O São Luiz compõe o panteão das seis salas de cinema de rua mais antigas do Brasil ainda em funcionamento, um pódio suado, dada a competição imposta pelos multiplex de shoppings e pela decadência dos centros das capitais, ameaças agravadas pela diminuição de público após a pandemia de coronavírus.
Segundo Luís Fernando Moura, programador do São Luiz, um dos principais desafios para um cinema de rua é convencer o público de que a experiência de ver um filme na sala é diferenciada. “Historicamente, as pessoas vão ao cinema porque buscam uma atração. Elas precisam sentir que estão vivendo uma experiência diferente”, diz.
Se as salas de shopping têm poltronas reclináveis e combos de pipoca amanteigada com copos de brinde, o São Luiz tem como vantagem 72 anos de história projetada em uma arquitetura no estilo art déco, além de uma programação que inclui filmes com curadoria e os de festivais, em paralelo aos lançamentos.
O cinema abrigará também o Centro de Referência do Audiovisual Pernambucano, uma espécie de museu, conta Renata Borba, presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, hoje mantenedora do São Luiz ao lado da secretaria de cultura do estado. Outra estratégia para atrair público é o preço dos ingressos, fixados em R$ 10.
Algo semelhante acontece com o cinema Olympia, em Belém, que carrega o título de sala comercial mais antiga do país, datada de 1912. Na época, era comum que cinegrafistas viajassem para capturar imagens de lugares considerados exóticos, que seriam exibidas em cinemas de Paris, Nova York e Londres. A Amazônia se tornou um cenário cobiçado.
O crescente interesse sobre o cinema, influenciado pelo movimento de estrangeiros na região, tornou a construção de uma sala uma prioridade em uma Belém que crescia graças a exportação de borracha. Desde sua fundação, o Olympia resistiu a várias crises enfrentadas pelo cinema, como a chegada da televisão, na década de 1950, a invenção do VHS, nos anos 1980, e por fim a pirataria, nos anos 2000.
Em 2006, quando ameaçava fechar, foi adquirido pela prefeitura de Belém após protestos da população. “O Olympia se tornou uma referencia histórica, cultural e afetiva da cidade, e de vida para as pessoas. Enquanto existir, deve gerar mais memórias”, diz Marco Antônio Moreira, programador do Olympia.

Desde então, a sala oferece entrada gratuita. Neste ano, o cinema que mantém ornamentos da belle époque paraense fechou para restauro, feito pelo Instituto Pedra e, quando reabrir, terá um bar dentro da sala —mais uma atração para atrair público.
A diminuição do valor da entrada também foi adotada pelo Cineteatro São Luiz, em Fortaleza, xará da sala pernambucana. Ambas foram fundadas por Luiz Severiano Ribeiro, dono do grupo Severiano Ribeiro, que por muito tempo foi o maior exibidor brasileiro —antes da entrada de empresas estrangeiras no país, como a Cinemark e UCI— e que hoje gerencia o Kinoplex.
Como grande parte dos cinemas de rua, o Cineteatro São Luiz entrou em decadência nos anos 2000, quando o multiplex se popularizou. O modelo é baseado na existência de várias salas por complexo, que possibilitam a exibição simultânea de mais títulos e, assim, atraem pessoas de gostos diferentes.
Hoje, o São Luiz cearense é também local para peças de teatro, espetáculos infantis e shows. O modelo hibrido ajuda a chamar público, diz Duarte Dias, programador e curador de cinema.
“Não atuamos mais apenas esperando que as pessoas venham. Precisamos ir ao encontro do público”, diz. Outros desafios são a negociação com as distribuidoras, que priorizam cinemas de shopping para blockbusters, e driblar o preconceito contra os centros das cidades, que hoje carregam a fama de locais vazios e perigosos. Segundo ele, o cinema de rua pode contribuir para que os centros voltem a ser um espaço de convívio para a população.
Esse é um dos principais obstáculos do Marabá, fundado em 1944 na avenida Ipiranga, em São Paulo. “A violência no centro aumentou com a piora da economia”, diz Otelo Coltro, presidente da rede Playarte, que comprou o Marabá há 15 anos. A sala de 1.655 lugares foi desmembrada em cinco, e a fachada e o bar foram restaurados.
Sem gerência do governo, diferente do São Luiz, do Olympia e do Cineteatro São Luiz, o Marabá e o Odeon, no Rio de Janeiro, sofrem com problemas de caixa. Coltro diz que está pleiteando na Justiça a isenção do IPTU, prevista pela prefeitura, e que está negociando o aluguel do edifício com o proprietário.
Ele culpa o atraso da vacinação na pandemia pelo rombo no caixa. “Em outros países, os cinemas ficaram fechados por pouco tempo. Aqui no Brasil, foi quase um ano. As pessoas foram obrigadas a fazer assinaturas nas plataformas digitais e se habituaram assim.”
Já o Odeon, nascido em 1923 na região conhecida como Cinelândia pela ampla oferta de cinemas, teatros e bares no século 20, hoje funciona principalmente como palco de eventos e festivais. A sua operação como cinema comercial se tornou inviável, segundo Elizabeth Tinoco, gerente comercial nacional do Kinoplex, que administra a sala.

“São altos os custos de manutenção, operação e conservação. Temos planos de buscar um patrocínio no futuro para que isso volte a acontecer. Enquanto isso, seguimos firmes em preservar o local como um ponto de referência cultural do Rio de Janeiro”, diz.
O cinema mais antigo do Rio, porém, é o Íris. A sala de 1909 mantém sua arquitetura art nouveau, ainda que, para sobreviver, funcione desde 1982 apenas exibindo filmes eróticos.
*Com informações de Folha de São Paulo
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