O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso - Foto: Roque de Sá / Agência Senado

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou hoje que o presidente Lula (PT) não vai “abdicar” de indicar um novo nome para o STF. Disse, ainda, que o risco de derrota de Jorge Messias, rejeitado ontem pelo Senado para a vaga, era “previsto”.

Randolfe disse que Lula “vai indicar” outro nome para a corte, mas não afirmou quando. “O presidente obviamente vai avaliar, vai ver qual é o melhor momento, mas essa atribuição é do Presidente da República a indicação, assim como a atribuição do Senado Federal fazer a sabatina dos indicados ao Supremo Tribunal Federal e aprovar”, defendeu o senador, em entrevista a jornalistas.

Senador defendeu ser atribuição do presidente fazer indicações ao STF, e que Lula não abrirá mão disso. “Por que razão o presidente da República iria abdicar de sua atribuição? Até 1º de janeiro, foi eleito, pelo povo brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E, se tem um presidente na história desse país que sabe o que é exercer as atribuições de presidente, é ele”, enfatizou.

Randolfe afirmou também que o risco de derrota de Messias era “previsto”. O senador comparou a derrota a votações apertadas recentes no Senado e disse que o desfecho era esperado dentro do cenário atual. “Estava dentro do jogo democrático.”

“Nós já sabíamos da dificuldade. A última sabatina e votação foi de quem? A votação do PGR [procurador-geral da República], ele foi aprovado por 43 votos [foram 45 votos, na realidade]. Anteriormente, o ministro Flávio Dino [do STF] foi aprovado por 47 votos. Então, a dificuldade para a escolha, para a votação, era algo previsível. Não é nenhuma novidade. Nós sabemos que tinha a possibilidade da vitória, nós sabemos que tínhamos a possibilidade da derrota” afirmou Senador Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso Nacional, sobre derrota de Jorge Messias.

Influência eleitoral pesou. O senador disse que a análise do nome ocorreu sob impacto da disputa eleitoral. “Nós não queríamos que fosse contaminado pela eleição. A oposição fez essa escolha”, declarou.

Rejeição não foi técnica, diz o senador. Para o líder do governo, a votação não refletiu a capacidade de Messias, mas sim a conjuntura política do momento.

Derrota não significa “fim” do governo Lula, na avaliação de Randolfe. “A escolha sobre quem vai ser o próximo presidente da República vai ser ao povo brasileiro. Então, é muito cedo para ele fazer julgamento de começo ao fim do governo presidencial”, rebateu ao senador, ao comentar fala do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) sobre a derrota do governo.

Jorge Messias é sexto nome na história rejeitado ao STF pelo Senado – Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado

Messias teve a indicação rejeitada após receber apenas 34 votos favoráveis — ele precisava de 41. Outros 42 senadores votaram contra Messias.

Logo após a rejeição, o ministro afirmou que “sabemos quem provocou tudo isso”. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é apontado como principal articulador do veto a Messias. “Passei por cinco meses de um processo de desconstrução da minha imagem. Toda sorte de mentiras para me desconstruir ocorreu”, disse após a derrota no plenário.

Alcolumbre defendia a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga. A escolha de Messias por Lula gerou tensão com o presidente do Senado, que não foi previamente consultado e evitou se comprometer publicamente com o apoio.

Rejeição quebra a tradição de aval do Senado a indicados ao STF. Em mais de um século, a Casa rejeitou apenas cinco nomes, todos em 1894, ainda no início da República.

*Com informações de Uol