Andrei Rodrigues foi afastado do cargo de diretor-geral da PF - Foto: Lula Marques / Agência Brasil

Onze diretores da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição do diretor-geral substituto, William Murad, após a decisão do ministro André Mendonça, do STF, que afastou Andrei Rodrigues, do comando da corporação, e Leandro Almada, da diretoria de Inteligência Policial.

Manifesto divulgado hoje afirma que o grupo decidiu se posicionar publicamente em defesa de Rodrigues e de Almada. O texto diz que os dois foram alvo de “ataques injustificados” e sustenta que a PF deve ser preservada de “tentativas de usurpação de funções”.

Os 11 diretores foram colocados nos cargos por Andrei Rodrigues. Só não assinaram o manifesto o próprio Almada, porque foi afastado de seu cargo, e o delegado Murad, que assumiu hoje o cargo de diretor-geral.

O grupo afirma que as acusações contra a cúpula da PF não têm fundamento e rejeitam a ideia de atuação “não republicana”. O grupo diz que esse tipo de narrativa estaria ligado a interesses político-eleitorais e não apaga a trajetória profissional da atual direção.

Os diretores informam que entregaram os cargos ao diretor-geral substituto. Eles afirmam que a medida faz parte do dever de defender a instituição e de garantir uma Polícia Federal capaz de “promover justiça” e assegurar o Estado democrático de Direito.

Assinam a nota pública:

  • Dennis Cali — diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (DICOR/PF);

  • Fabrício Schommer Kerber — diretor de Polícia Administrativa (DPA/PF);

  • Otavio Margonari Russo — diretor de Combate a Crimes Cibernéticos (DCIBER/PF);

  • Felipe Tavares Seixas — diretor de Cooperação Internacional (DCI/PF);

  • Helena de Rezende — diretora de Gestão de Pessoas (DGP/PF);

  • Roberto Reis Monteiro Neto — diretor Técnico-Científico (DITEC/PF);

  • André Luis Lima Carmo — diretor de Administração e Logística (DLOG/PF);

  • Christiane Correa Machado — diretora de Ensino da Academia Nacional de Polícia (DIREN-ANP/PF);

  • Alexsander Castro de Oliveira — diretor de Proteção à Pessoa (DPP/PF);

  • Ademir Dias Cardoso Júnior — diretor de Tecnologia da Informação e Inovação (DTI/PF);

  • Humberto Freire de Barros — diretor da Amazônia e Meio Ambiente (DAMAZ/PF)

Trechos da nota dos 11 diretores

Da mesma forma como a Instituição Polícia Federal tem, em sua história e feitos, a razão de sólida admiração dos brasileiros, o Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável.

Narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja.

O que disse o novo diretor-geral da PF

Murad era o número dois no comando da PF. Sua ascensão ao cargo de diretor-geral é um indicativo de que, por ora, não haverá nenhuma mudança significativa no dia a dia da corporação.

Sede da Polícia Federal – Foto: Polícia Federal / Gov

“Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vier. Reafirmamos a nossa total confiança na direção-geral e no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, mas saberemos atravessar essa tempestade como tantas vezes o fizemos.” afirmou William Murad, diretor-geral em exercício da PF, mais cedo.

Decisão do STF abriu crise na PF

Mendonça determinou hoje o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada. A medida foi tomada no âmbito de pedidos apresentados pelo partido Novo na semana passada.

O ministro do STF determinou ainda que a Corregedoria da PF abra procedimento para apurar as circunstâncias relacionadas à produção de documentos citados no caso. Na decisão, ele também ordenou a suspensão imediata da produção, elaboração ou compartilhamento de relatórios de inteligência voltados a analisar a atividade jurisdicional, a advocacia pública e a polícia judiciária.

A decisão foi levada para a Segunda Turma, e dois ministros votaram com Mendonça. Presidente da Turma, Luiz Fux convocou os ministros para votarem sobre a decisão no plenário virtual, nesta manhã.

Votaram pelo afastamento de Andrei Rodrigues da PF:

  • André Mendonça – relator

  • Luiz Fux – presidente da Segunda Turma

  • Kassio Nunes Marques

Faltam votar:

  • Dias Toffoli

  • Gilmar Mendes (pedido de vista)

Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu o julgamento por até 90 dias. Toffoli ainda precisa definir se participa do julgamento ou mantém seu impedimento de tratar de processos sobre o caso Master.

Assim, fica valendo a decisão de Mendonça pelo afastamento imediato de Rodrigues e Almada. O pedido de vista mantém em vigor a determinação do ministro relator pelo afastamento preventivo.

Gilmar deve pedir para o caso ser analisado pelo plenário do Supremo, e não pela Segunda Turma. Nesse caso, dez ministros votariam a decisão de Mendonça — exceto se algum magistrado se declarar impedido de analisar o caso.

*Com informações de Uol