Capitólio dos EUA em Washington, DC - Foto: Saul Loeb / AFP

Caso o Partido Democrata consiga maioria no Congresso americano, o presidente Donald Trump e o partido republicano devem enfrentar mais obstáculos para aprovar sua agenda com maior fiscalização, investigações parlamentares e disputas sobre o Orçamento. As eleições de meio de mandato renovam toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Hoje, os republicanos têm maiorias apertadas nas duas Casas, e as pesquisas indicam vantagem democrata na Câmara, enquanto o Senado aparece mais imprevisível.

Efeitos nos EUA

Uma Câmara controlada pelos democratas tende a travar a tramitação de projetos alinhados à Casa Branca e a elevar o custo político de negociações sobre gastos federais. A oposição também ganha instrumentos para impor limites à agenda do governo em votações orçamentárias e para convocar autoridades a prestar esclarecimentos em audiências.

Mesmo com um Congresso adversário, Trump mantém uma ampla margem de ação por meio do Poder Executivo. Auxiliares da Casa Branca dizem que o governo se prepara para avançar com medidas unilaterais em áreas como imigração, tarifas, custos de moradia e gastos federais, além de buscar formas de usar recursos já aprovados para tocar prioridades sem depender de novas leis.

Medidas executivas podem ser contestadas e barradas na Justiça, e um Congresso democrata pode tentar encerrar emergências nacionais usadas para ampliar o poder do presidente. Entretanto, Trump pode vetar essas tentativas, exigindo maioria de dois terços para derrubar o veto.

Como pode afetar o governo Trump?

O impacto político mais imediato de uma virada democrata é a abertura de frentes de investigação. Lideranças e assessores de comissões discutem usar audiências, intimações e pedidos de documentos para apurar se Trump usou o cargo para beneficiar a si mesmo, aliados ou doadores.

Trump já foi alvo de pelo menos quatro processos criminais e abertura de novo processo de impeachment é uma possibilidade. A perda maioria republicana na Câmara pode facilitar o início de um terceiro processo contra o presidente. Ele já foi alvo de dois impeachments durante seu primeiro mandato, em 2019 e 2021, mas foi absolvido pelo Senado nos dois casos.

A Casa Branca vem se preparando para o cenário sem maioria no Congresso. Advogados do governo orientaram nomeados políticos e chefes de órgãos sobre como responder a investigações e intimações e recomendaram cautela em registros por escrito; também foi solicitado um parecer do Departamento de Justiça para embasar o uso de privilégio executivo em comunicações com assessores privados.

Se os democratas ficarem com o Senado, o cerco se amplia em outra frente: a confirmação de nomeações. A maioria na Casa permitiria bloquear indicados de Trump para cargos do Executivo e do Judiciário, incluindo uma eventual indicação para a Suprema Corte.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – Foto: Reprodução / X / @POTUS

Trump já sinalizou que, se perder o controle do Congresso, pretende usar o poder de veto para barrar projetos que não lhe interessem. Em entrevista a um podcast, ele disse que pode se tornar o “Sr. Veto” e depois buscar acordos com os democratas.

Pesquisas mostram que a aprovação do presidente Donald Trump caiu ao menor nível de seu segundo mandato. Segundo pesquisa divulgada pela NBC News em outubro, 34% dos adultos aprovam o desempenho dele, enquanto 66% desaprovam. Apesar dos democratas aparecerem na frente como preferência para o Congresso, a insatisfação atinge os dois partidos.

Entenda a eleição

As midterms acontecem na metade do mandato presidencial e funcionam como um teste de força do governo. Nesta eleição, estão em disputa as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 do Senado e governos estaduais em dezenas de estados.

Para virar a Câmara, os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras para superar a maioria republicana de 218 a 214. No Senado, também precisam de quatro cadeiras para reverter o placar de 53 a 47, em uma corrida considerada mais apertada.

A votação nos EUA não é obrigatória e as regras variam por estado. Milhões de eleitores votaram de forma antecipada, presencialmente ou pelo correio, em um volume acima do registrado nas eleições de meio de mandato de 2022.

Trump intensificou campanha para manter maioria republicana. O presidente percorreu quase 25 mil km em 13 dias de campanhas percorrendo diferentes estados para mobilizar eleitores e apoiar candidatos do partido. Entre os destinos, está o Texas, tradicional reduto republicano.

*Com informações de Uol