Foto: R.D. Smith na Unsplash

A arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) e o boto-tucuxi (Sotalia fluviatilis) passaram a integrar a relação brasileira de animais ameaçados de extinção. A nova avaliação analisou mais de 15 mil espécies e identificou cerca de 1.280 em alguma categoria de risco.

O levantamento avaliou 790 animais terrestres e mamíferos marinhos. Além disso, complementou a relação de 490 peixes e invertebrados aquáticos divulgada em abril pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A atualização substitui a versão publicada em 2022 e considera categorias como vulnerável, em perigo e criticamente ameaçada.

Arara-azul sofre com incêndios no Pantanal

Classificada como vulnerável, a arara-azul-grande concentra suas maiores populações no Pantanal. No entanto, os incêndios registrados no bioma afetaram esses grupos.

“As maiores populações da espécie, que estão no pantanal, sofreram enormemente com os seguidos incêndios no bioma”, afirma Luís Fábio Silveira, curador da coleção de aves do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP).

Da mesma forma, a araponga-do-nordeste (Procnias averano) está em perigo de extinção e enfrenta a perda de habitat.

“Ela vive nas matas secas do interior do Brasil, que continuam a ser dizimadas”, diz Silveira.

De modo geral, desmatamento, grandes empreendimentos, poluição, caça ilegal, tráfico de animais e atropelamentos estão entre os principais fatores de pressão sobre a biodiversidade.

Boto-tucuxi entra na relação

Um dos animais mais conhecidos da Amazônia, o boto-tucuxi também passou a fazer parte da relação atualizada. Ao mesmo tempo, o boto-cinza (Sotalia guianensis), o boto-de-Lahille (Tursiops gephyreus) e o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) apresentaram piora no grau de risco.

Botos enfrentam desafios com a pesca, o garimpo e a presença das hidrelétricas nos rios – Foto: Adriano Gambarini / WWF-Brasil

Segundo Anna Carolina Lins, analista de conservação do WWF-Brasil, a expansão da infraestrutura costeira, a captura incidental durante a pesca e a poluição estão entre os principais problemas.

“Entre as ameaças mais comuns estão a expansão da infraestrutura costeira, como portos e obras marítimas, a captura incidental devido a más práticas pesqueiras e a poluição”, afirma.

Além disso, as mudanças climáticas aumentam a vulnerabilidade dos ambientes aquáticos.

Alguns animais apresentam recuperação

Por outro lado, a atualização também registra avanços. O soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni), o sauim-de-coleira (Saguinus bicolor) e a baleia-franca-austral (Eubalaena australis) tiveram redução no grau de ameaça.

O soldadinho-do-araripe está entre as aves mais raras do mundo e ocorre nas matas e encostas da Chapada do Araripe, entre Ceará, Pernambuco e Piauí.

Nesse cenário, a participação da população local também pode contribuir para a conservação. “O soldadinho-do-araripe é um exemplo interessante porque se tornou um símbolo regional, aproximando a população local da conservação”, diz Lins.

Sauim-de-coleira avança

Endêmico da região de Manaus, o sauim-de-coleira perdeu parte de seu habitat com o avanço urbano e passou a ocupar fragmentos florestais.

Ainda assim, na última década, medidas como a criação de corredores ecológicos e ações de fiscalização ajudaram a proteger as populações.

Como resultado, o animal passou de criticamente ameaçado para em perigo de extinção na avaliação de 2026.

Foto: Henrique Almeida / Ipaam

Baleia-franca melhora, mas proteção continua necessária

A baleia-franca-austral também apresentou avanço e passou de em perigo para vulnerável à extinção após décadas de recuperação.

Além da proibição internacional da caça, Santa Catarina criou, em 2000, uma Área de Proteção Ambiental (APA) para preservar a região utilizada pelo animal.

Apesar desse avanço, propostas para alterar os limites da unidade de conservação geram preocupação entre especialistas.

“A melhora no status de conservação não significa que a baleia-franca-austral esteja recuperada”, afirma Lins. “A redução da APA da Baleia Franca poderia enfraquecer justamente as condições que têm permitido a recuperação da espécie.”

*Com informações de Agro em Campo