A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acredita que o resultado da eleição presidencial passa pelo sucesso ou fracasso dos seguintes fatores: diminuir a votação de Lula no Nordeste e aumentar a própria votação no Sudeste.
A avaliação da equipe é que não há margem para mudanças nas demais regiões. A expectativa é que Flávio e Lula alcancem votações semelhantes ao que Lula e Jair Bolsonaro obtiveram em 2022 no Centro-Oeste, Sul e Norte.
O esforço de Flávio para reduzir o colchão de votos de Lula no Nordeste começa amanhã. O candidato participa de um evento político em Natal na tarde de sábado. No domingo, estará em João Pessoa.
A direita sofreu uma derrota acachapante na região na última eleição. A vantagem petista no segundo turno compensou derrotas no restante do Brasil.
Votos em 2022:
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Lula – 21,75 milhões de votos;
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Bolsonaro – 8,78 milhões de votos;
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Diferença no Nordeste – 12,97 milhões de votos.
Lula não é mais o mesmo
A direita escolheu três ex-ministros de Bolsonaro como estrategistas no Nordeste: João Roma, Marcelo Queiroga e Rogério Marinho, este último coordenador nacional da campanha de Flávio.
O trio acredita que Lula não é mais o mesmo. Marcelo Queiroga justifica que o presidente perdeu o apelo afetivo de outros tempos. O raciocínio é que o nordestino não quer um “painho”.
Para a oposição, o eleitor local entendeu que programas sociais não dependem de Lula. A ameaça de que o PSDB poderia acabar com o Bolsa Família complicou a candidatura de Geraldo Alckmin, então um tucano, anos atrás.

A leitura é que Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL) passaram, e o Bolsa Família ficou. Para a direita, este processo foi pedagógico para o eleitor perceber que se trata de uma política de Estado e não uma vontade do PT.
Queiroga defende uma segunda etapa: parar de importar discursos de São Paulo. O ex-ministro afirma que é necessária uma campanha “com sotaque nordestino”.
Ele fala em realçar questões regionais. Durante a campanha, Queiroga vai dizer que, mesmo com a covid-19, Bolsonaro entregou a transposição do rio São Francisco e criou o Auxílio Emergencial.
Interlocutores de Flávio contam que Lula será apresentado como “produto vencido”. Eles adiantam que, durante a campanha, o bolsonarismo baterá na tecla de que o Brasil vendido por Lula em 2022 não foi entregue.
O pré-candidato já testou este discurso. Empilhar críticas a Lula foi a fórmula usada por Flávio na manifestação na avenida Paulista no começo deste mês.
O esforço de desconstruir a mística de Lula no Nordeste não começou agora. O PL criou um roteiro de viagens pelo país chamado de Rota 22. A maioria dos destinos escolhidos eram cidades do Nordeste.
Apresentar soluções para problemas reais é outra tática a ser empregada. Líder da oposição na Câmara, o deputado Cabo Gilberto (PL) é paraibano e defende “propostas para o Brasil real”.
Ele diz que o nordestino não quer polarização, mas comida barata. O parlamentar argumenta que o mesmo vale para segurança pública e saúde. Assim como a equipe de Flávio, Cabo Gilberto considera que falar com eleitor de centro é chave para crescer na região.
Desafiando o domínio baiano
O sucesso da estratégia bolsonarista depende da Bahia. Estado mais populoso do Nordeste, ela deu 3,7 milhões de votos de vantagem para Lula em 2022.
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6.097.815 para Lula na Bahia;
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2.357.028 para Bolsonaro.
O ex-ministro João Roma é responsável pela tarefa e espera tirar 1,7 milhão de votos de Lula. O trabalho será embasado no discurso de o petista ser “produto vencido”, mas há fatores políticos associados.

Roma conta com o apoio de ACM Neto (União Brasil). Nome forte do centrão, ele ficou neutro no segundo turno de 2022 e agora estará com Flávio. A aliança significa o acionamento de uma engrenagem política que inclui prefeitos, vereadores e militantes.
Outro fator é a falta de popularidade do governador local. Pesquisa Real Time Big Data de novembro do ano passado apontou que o petista Jerônimo Rodrigues tem 50% de desaprovação.
Na eleição passada, Lula se aproveitou do prestígio do então governador. Também petista, Rui Costa deu palanque a Lula ostentando 15% de avaliação ruim ou péssima.
Quebrando estigma
A inclinação ao centro por parte do bolsonarismo atraiu um nome forte no Nordeste. Líder de uma bancada poderosa no Senado nos últimos anos, Efraim Filho trocou o União Brasil pelo PL.
Ele será estrela do evento em João Pessoa no domingo. Político considerado equilibrado, Efraim vai disputar o governo da Paraíba apostando no centro.
A montagem da chapa foi uma sinalização nesta direção. Ele convidou para vice Juliana Cunha Lima, psicóloga especialista em doenças mentais e que trabalha com crianças com necessidades especiais.
Efraim disse que falar ao centro não significa esconder ser candidato da direita. “Minha candidatura vai desafiar estigmas”. O pré-candidato afirmou que a identidade visual terá o verde e amarelo estampando santinhos, posts e bunners nos quais vai aparecer ao lado de Flávio.

O apelo a programas sociais não será ignorado. Efraim se apresenta como um nome sensível a importância de projetos como Vale Gás e o Pé-de-Meia.
A situação representa uma guinada. Vale Gás e Pé-de-Meia recebem críticas da militância bolsonarista e agora os caciques políticos da direita abraçam um candidato que reconhece o valor destes programas.
Ainda que exista o desejo de campanha com sotaque nordestinos, uma solução paulista está nos planos. Efraim pretende fazer acenos aos empreendedores, discurso que rendeu frutos eleitorais a Pablo Marçal na disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 2024.
O slogan já está pronto: “Mais rápido, mais simples e mais barato”. Efraim diz acreditar que desta maneira consegue se eleger e, por tabela, cumprir a meta que combinou com Flávio.
O objetivo é ganhar quase 7 pontos percentuais para o bolsonarismo:
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2022 – 33,38% dos paraibanos votaram em Jair Bolsonaro;
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2026 – meta de ter 40% votando em Flávio Bolsonaro.













