O MPF (Ministério Público Federal) no Amazonas pediu a suspensão da licença de instalação concedida pelo Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) ao projeto de exploração de potássio na região de Autazes (AM), entre os rios Madeira e Amazonas.
O pedido à Justiça Federal, feito em uma ação com caráter urgente, protocolada no fim da tarde desta segunda-feira (13), é assinado por cinco procuradores da República.
A ação se estende a outras licenças concedidas ao empreendimento, como para construção de um porto e para captação de água. O MPF quer que os efeitos dessas autorizações sejam suspensos, com impedimento de obras que deem início às atividades de exploração mineral.
Outro pedido da Procuradoria é para que o processo de licenciamento seja encaminhado ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), por haver sobreposição de jazidas a um povoado indígena existente há pelo menos 150 anos.
Em nota, a Potássio do Brasil, dona do empreendimento, afirmou que ainda não tomou conhecimento do conteúdo da ação e que irá se manifestar nos autos do processo.
O Ipaam não respondeu aos questionamentos da reportagem.
O ECI (estudo do componente indígena), protocolado pela Potássio do Brasil, aponta a existência do povoado mura há 150 anos, segundo a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas). O MPF diz que esse período é ainda maior, de 200 anos.
A ação protocolada na Justiça Federal lista diversas razões para a suspensão das licenças concedidas. A mais importante, a de implantação de mina e lavra, foi concedida pelo órgão do governo do Amazonas no último dia 5 de abril.
