Ex-primeira dama lança novo livro em que traça guia de estratégias e ferramentas para manter a esperança e o equilíbrio
Na próxima terça-feira (15), quando o Brasil comemora 133 anos da Proclamação da República, a única primeira-dama negra da história dos Estados Unidos lança, simultaneamente em 14 idiomas e 27 países, o seu segundo livro: “Nossa luz interior — Superação em tempos incertos”. Publicada por aqui pela Objetiva (selo da Companhia das Letras), a obra, como o nome sugere, é um guia de estratégias e ferramentas para manter a esperança e o equilíbrio mesmo quando tudo parece querer o contrário.
Assim como em “Minha História”, best-seller de 2018, Michelle — criadora do programa “Let Girls Learn”, que busca abrir portas para a educação de meninas ao redor do mundo, e foi eleita, segundo o Instituto YouGov, a mulher mais admirada do planeta — escreve em primeira pessoa, sem meias palavras, sobre suas inseguranças e convicções: “Não me arrependo de nada. Escrever foi uma das experiências mais libertadoras de toda a minha vida”, disse a ex-primeira-dama por e-mail à Revista ELA.
Embora tenha respondido menos da metade das perguntas enviadas, Michelle, em sua primeira entrevista concedida a um veículo de comunicação do Brasil, tocou em pontos delicados e corajosos como as crises de ansiedade durante a pandemia, as brigas com Barack Obama e muito mais.
O GLOBO — Seu primeiro livro, “Minha história”, vendeu mais 17 milhões de cópias em todo o mundo. Por que outra obra em tão pouco tempo?
Michele Obama — Escrevi este livro para ajudar as pessoas a se sentirem menos sozinhas em um mundo de incertezas. Nos últimos dois anos, fomos constantemente bombardeados com informações dolorosas e difíceis — de uma pandemia global a um acerto de contas com a injustiça racial, ataques aos direitos das mulheres e muito mais. Pode ser tão fácil em tempos como estes isolar-se, voltar-se para dentro e afastar os outros
O GLOBO — A senhora admite que seus medos podem ser resumidos na frase: “Sou boa o suficiente?”. Isso é verdade? Michelle Obama sofre da síndrome de impostora?
Michele Obama — É verdade. Em muitos momentos na minha vida, precisei lutar demais para sentir que era boa o suficiente. Como filha de um bombeiro hidráulico e uma dona de casa da Zona Sul de Chicago, como orientanda de um professor que disse que eu não era digna de uma universidade de elite (formou-se em Sociologia em Princeton e em Direito em Harvard), tive muitas dúvidas sobre mim desde cedo. E muitas dessas inseguranças voltaram quando as luzes brilhantes da política foram direcionadas para mim e minha família. Então, sim, ainda hoje me questiono se estou à altura. Nunca esperei essa vida para mim. Quando se é a primeira mulher negra a assumir o papel de primeira-dama em um país como os Estados Unidos, é natural sentir como me senti, como se eu não pertencesse.
O GLOBO — Dançando na posse ou lutando contra o racismo e por melhorias na saúde, parece sempre haver uma química entre a senhora e o Obama. a impressão é de que o amor de vocês só cresce com o passar do tempo…
Michele Obama — A verdade é que Barack e eu trabalhamos duro em nosso amor. Não é fácil. Definitivamente não é só sol e arco-íris. A maior lição que aprendi com ele é que um parceiro nunca será a solução para todos os seus problemas, embora queiram que a gente acredite que sim. Na realidade, não é verdade. Temos que perseverar em busca de nossas próprias soluções para os problemas. Parceiros ajudam, mas não fazem nada sozinhos. Sim, Barack e eu brigamos, brigamos e discutimos muito ao longo dos anos. Mas se tem uma coisa que aprendi é: estar em um relacionamento longo não significa que vocês são duas metades da laranja que se encaixam perfeitamente. Não tem essa coisa de estar constantemente terminando as frases um do outro, antecipando sentimentos antes que eles surjam. Talvez seja assim para algumas pessoas, mas não é o nosso caso. Para nós, estar junto é estar disposto a voltar para redescobrir coisas que ficaram no caminho. Mesmo nos dias em que você está com tanta raiva que nem consegue olhar na cara do outro, confiar na parceria e no processo contínuo de descobrir a vida é a chave da relação.
Com informações de O Globo