O deputado estadual Alcides Fernandes (PL) é pré-candidato ao Senado - Foto: Divulgação / Alece
Pivô da crise do Partido Liberal no Ceará, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL) rebateu o vídeo gravado por Michelle Bolsonaro e classificou a gravação como “infeliz”. Segundo ele, ela já havia se comprometido a apoiar aliança com Ciro Gomes em abril.
Política exige maturidade para lavar roupa suja em casa e cumprir acordos publicamente, afirmou o deputado. Alcides é pai de André Fernandes, presidente do PL do Ceará e que foi criticado por Michelle no vídeo também. “Me surpreendeu você dizer publicamente que não negocia valores e princípios, criticando nossa aliança com o Ciro, mas no dia 14 de abril, em uma reunião fechada entre você, Altineu [Côrtes], André e Valdemar [da Costa Neto], na sua sala, você disse que toparia fazer aliança com Ciro.”
A condição de Michelle, segundo Alcides, seria lançar Priscila Costa como candidata ao Senado. No vídeo divulgado essa semana, a ex-primeira-dama questiona por que “só a mulher tem que ceder?”. “Os valores são mesmo inegociáveis? Ou todo esse estardalhaço contra nós, e esse enorme prejuízo na campanha do Flávio Bolsonaro, foi apenas uma tentativa de criar um caos para impor uma vontade particular sua?”, disse o deputado.
Pré-candidato ao Senado, Alcides defende a aliança do PL com Ciro Gomes. O apoio do partido foi o pivô da crise que levou Michelle a gravar um vídeo em que diz que Flávio Bolsonaro (PL) a maltratou e a humilhou. A ex-primeira-dama é contra a aliança e, além disso, defende que a candidata ao Senado no Ceará seja Priscila Costa, atual vice-presidente do PL Mulher.
Alcides disse que falta para Michelle conhecimento sobre realidade do estado. Segundo o deputado, o vídeo da ex-primeira-dama “tenta descredibilizar todo esforço realizado nos últimos anos” para tirar o PT do poder no estado. “Infelizmente, a direita sozinha ainda não possui a força necessária para derrotar o PT. Seria um sonho, mas a realidade é outra”, afirmou.
Alcides citou ainda reuniões que integrantes do PL Ceará fizeram com Jair Bolsonaro. Um desses encontros teria ocorrido no ano passado, antes do ex-presidente ser preso. Segundo ele, o apoio a Ciro, que é pré-candidato ao governo pelo PSDB, não se trata de “traição de valores”, mas sim de “ter a grandeza de entender que, no momento de guerra, a nossa prioridade é derrotar o mal maior”. Em uma outra conversa, segundo o deputado, Bolsonaro teria dito que Alcides seria o candidato ao Senado.
Vídeo de Michelle
Michelle diz que Flávio a maltratou em um telefonema. A ligação teria acontecido, segundo a ex-primeira-dama após ela criticar a aliança do PL do Ceará com Ciro —ela defende o apoio a Eduardo Girão (Novo). “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone”, afirmou.
“Para ele [Flávio] e alguns que o cercam, eu não entendo de política”, disse a ex-primeira-dama. “Tudo bem, eu me recolhi. E desde esse dia, ele não me procurou mais. Eu também não procurei, porque estou respeitando o que ele falou e é só isso. Agora, vou desmentir as narrativas e notícias que circulam na imprensa.
O vídeo abriu uma nova crise na pré-campanha de Flávio. Depois da divulgação do áudio do senador para Daniel Vorcaro, dono do banco Master, pedindo dinheiro para o filme de Bolsonaro, o senador tem trabalhado para atrair votos das mulheres e dos evangélicos —Michelle é uma peça importante nessa estratégia, já que atrai os dois públicos.
“Sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. […] Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço.” afirmou Michelle Bolsonaro.
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