Especialista aponta que crescimento do segmento está cada vez mais ligado à gestão, experiência do cliente e qualificação dos empreendedores - Foto: Assessoria
O hambúrguer deixou de ser apenas um lanche rápido para se consolidar como um dos segmentos mais dinâmicos do food service brasileiro. Após uma década marcada pela expansão acelerada de hamburguerias em todo o país, o mercado entra agora em uma fase de amadurecimento, na qual permanecem as operações capazes de unir identidade de marca, gestão eficiente e experiência de consumo.
O crescimento das hamburguerias acompanha o bom momento vivido pelo setor de alimentação fora do lar no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o food service movimentou R$ 455 bilhões em 2024, consolidando-se como um dos segmentos mais relevantes da economia nacional.
Dentro desse cenário, o mercado de hambúrgueres alcançou R$ 35,4 bilhões nos 12 meses encerrados em março de 2026, registrando crescimento de 7% em relação ao período anterior e mais de 1,4 bilhão de transações, de acordo com o Instituto Foodservice Brasil (IFB).
No Amazonas, o ambiente de negócios também tem apresentado sinais de expansão. Dados da Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea) mostram que a abertura de empresas de diversos setores cresceu 58% no primeiro quadrimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse movimento reforça um cenário favorável ao empreendedorismo e contribui para o fortalecimento de segmentos como o de alimentação fora do lar, no qual as hamburguerias vêm ampliando sua participação e nível de profissionalização.
O cenário local chama atenção pela força de marcas locais e pela consolidação de um mercado cada vez mais competitivo. Segundo Amanda Magalhães, sócia do Hambúrguer Perfeito — maior comunidade digital especializada em hambúrguer do Brasil —, Manaus abriga uma das maiores hamburguerias do país em volume de vendas. “O mercado brasileiro passou por uma forte expansão na última década. Hoje, mais do que a abertura de novos negócios, observamos a permanência das marcas que conseguem construir identidade, gestão e experiência. Manaus acompanha esse movimento e desenvolveu um ecossistema bastante competitivo e sofisticado”, afirma.
De acordo com a especialista, o comportamento do consumidor também mudou. O produto continua sendo importante, mas já não é suficiente para garantir o sucesso de uma operação. “Hoje o consumidor não busca apenas um hambúrguer. Ele busca uma experiência. As marcas que mais crescem entendem que vendem conveniência, conforto, entretenimento e pertencimento. O hambúrguer se tornou um produto extremamente democrático, capaz de atender diferentes ocasiões de consumo, desde uma refeição rápida até momentos de encontro entre amigos e familiares”, explica.
Amanda destaca ainda que as redes sociais tiveram papel fundamental nesse processo ao permitir que hamburguerias construíssem comunidades de clientes e fortalecessem sua identidade. “As marcas que conseguem desenvolver uma comunicação consistente e uma personalidade própria criam uma relação muito mais forte com o público. O consumidor passa a se identificar com a marca e não apenas com o produto”, observa.
Nesse cenário de profissionalização, cresce também a importância dos fornecedores especializados no atendimento ao food service. Para o diretor do Grupo Queiroz, Anderson Queiroz, o fortalecimento do mercado de hamburguerias acompanha uma demanda crescente por insumos, embalagens, equipamentos e conhecimento técnico.
“O empreendedor de alimentação está cada vez mais atento à qualidade dos insumos, à padronização dos processos e à experiência do cliente. Isso exige fornecedores preparados para atender diferentes perfis de negócio, desde operações iniciantes até marcas já consolidadas”, afirma.
Segundo Anderson, além do abastecimento, a qualificação dos empreendedores tem se tornado um diferencial para a sustentabilidade dos negócios. “Nosso papel vai além da venda de produtos. Trabalhamos para apoiar o desenvolvimento dos empreendedores por meio de capacitações, cursos e compartilhamento de conhecimento. Quanto mais preparados estiverem os operadores de food service, mais forte e sustentável se torna todo o mercado”, destaca.
Para Amanda Magalhães, essa atuação contribui diretamente para o fortalecimento do setor. “Quando distribuidores investem em treinamento, consultoria e desenvolvimento dos seus clientes, fortalecem todo o ecossistema do food service. Operadores mais preparados crescem, profissionalizam suas operações e tornam o mercado mais competitivo e sustentável para todos”, avalia.
A tendência, segundo a especialista, é que o segmento continue evoluindo nos próximos anos, impulsionado por consumidores cada vez mais exigentes e por empreendedores que entendem que o sucesso de uma hamburgueria depende de muito mais do que um bom hambúrguer.
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